
Bibliotecas episódicas e mandacarus: a luta pelo enraizamento das bibliotecas – Entrevista com Andreina Virginio

Bibliotecas episódicas e mandacarus: a luta pelo enraizamento das bibliotecas – Entrevista com Andreina Virginio
Andreina Alves de Sousa Virginio
andreinavirginio@ccsa.uespi.br
Sobre a entrevistada
Em 2025, Andreina Alves de Sousa Virginio defendeu sua tese pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, sob orientação do Prof. Dr. Edmir Perrotti.
Natural do estado do Piauí e formada em Biblioteconomia e Pedagogia, Andreina atua como docente e bibliotecária, exercendo suas atividades na Universidade Estadual do Piauí e no Instituto Federal do Piauí. Entre seus interesses pessoais, destaca a valorização do ócio, como ato de resistência e uma possibilidade de cura para almas esgotadas.
Sua tese, intitulada “Bibliotecas episódicas: o problema do enraizamento sociocultural e político das bibliotecas brasileiras”, discute as relações entre a Biblioteca e o enraizamento cultural. A pesquisa, em diálogo com o micro-histórico de Floriano (PI) e o cenário nacional, conceitua as “bibliotecas episódicas”, caracterizadas como equipamentos precarizados que não criam raízes simbólicas nem vínculos duradouros com a população. Em contraponto, apresenta o conceito de “biblioteca mandacaru”, como um modelo de biblioteca que resiste e floresce em contextos adversos por estar organicamente ligada ao coletivo.
Divulga-CI: O que te levou a fazer o doutorado e o que te inspirou na escolha do tema da tese?
Andreina Virginio (AV): Para ser bem honesta, eu achava que o doutorado seria um ponto distante na minha trajetória acadêmica. Eu tinha um filho pequeno, nascido durante o mestrado e uma filha, com 2 anos. Um doutorado custaria muito para mim. Sendo mulher, mãe e intrincada na classe trabalhadora, passamos a entender que as dinâmicas em torno de uma pesquisa, relativamente longa, pode nos cobrar muito. Mas vivíamos uma pandemia, esse momento tenebroso trouxe a possibilidade da modalidade remota, e aproveitei porque o doutoramento era caminho necessário para minha vivência profissional e para que eu me reencontrasse. Meus projetos para “além-mãe” eram também imprescindíveis. Agora, sobre a escolha do tema, há neste momento uma questão que gosto de lembrar. O tema nasceu de duas angústias. Eu e meu orientador, prof. Dr. Edmir Perrotti, em um encontro online de orientação, conversávamos sobre o enquadramento do que poderia ser minha pesquisa e também sobre coisas da vida. Nessa conversa eu lamentava o fato da biblioteca pública de Floriano ter fechado e que ninguém sabia falar, claramente, sobre sua história. O prof. Edmir disse que na década de 70 quando morou na cidade de Parnaíba (PI) também havia passado pela mesma situação… Eureka! Tínhamos então uma questão provocadora: por que bibliotecas fecham sem que ninguém reivindique, brigue, grite? Por que a sociedade não se opõe ao movimento de apagamento das bibliotecas? Esse fenômeno ocorre somente no Piauí ou é também percebido no país? Essas foram as questões iniciais da minha tese.
DC: Em qual momento de seu tempo no doutorado você teve certeza que tinha uma “tese” e que chegaria aos resultados e conclusões alcançados?
AV: Logo depois que formulei a questão-problema, investi tempo considerável para encontrar uma metodologia que pudesse dar sustentação e segurança para minha pesquisa. Até porque a tese tem início a partir de uma espécie de memorial em torno das bibliotecas que conheci e também daquelas que foram invisibilizadas para mim. Intuía que tinha uma proposição investigativa rica e cheia de provocações. Mas sabia que sem esse caminho metodológico a pesquisa poderia ser confundida com um estudo de caso, e não se tratava disso. A investigação ganhou contornos de tese na evolução da metodologia e da base teórica. Neste transcurso evolutivo eu notava que o tema crescia em inovação, em perspectiva e que os conceitos criados tinham potencial para se tornarem pontos de reflexões importantes na área da Biblioteconomia.
DC: Citaria algum trabalho ou ação decisiva para sua tese? Quem é o autor desse trabalho, ou ação, e onde ele foi desenvolvido?
AV: Uma notícia jornalística de 2022, publicada exatamente um ano após o início do doutorado, foi decisiva para que aquela questão-problema micro, pudesse alcançar patamar macro. Vários sites noticiavam a seguinte matéria: “Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas em 5 anos”, “Quase 800 bibliotecas públicas foram fechadas no Brasil”. Essas matérias mostravam que o movimento percebido no contexto micro-histórico de Floriano (PI) replicava-se em todo país. Esse número alarmante veio de um levantamento realizado pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), hoje mantido pelo Ministério da Cultura (MinC).
DC: Por que sua tese é um trabalho de doutorado, o que você aponta como ineditismo?
AV: Há essa questão que define uma tese, não é? Eu me sinto mais confortável em dizer que meu trabalho de pesquisa teve uma perspectiva individual e criativa, não sei se única ou verdadeiramente original (talvez original porque originou-se de mim, mas não sei garantir ser totalmente inédita). De todo modo, considero aqui os pontos que gosto de compartilhar com meus alunos ou com corajosos voluntários que aceitam me ouvir. Não há como entender a condição da biblioteca brasileira, sem conhecer sua história, nesse sentido desenvolvi o que chamo de “marcas histórico hereditárias da biblioteca brasileira”, sob este panorama tracei uma discussão teórica sobre os “não ditos” nessa história cujos desdobramentos me ajudaram a formular a linha estrutural do processo de precarização das bibliotecas e sua definição, segmentado em: descolamento cultural, invisibilização, desmonte e fechamento. Essa parte da pesquisa foi definida como “denúncia”, tendo como aporte a hipótese de que as bibliotecas no Brasil, em sua grande maioria, ainda não conseguiram atingir o enraizamento sociocultural e político que garante a permanência dessas instituições. De outro lado vem o “anúncio” um vislumbre de resposta para o problema da pesquisa, de onde parte as proposições do enraizamento. Essas proposições trazem possíveis caminhos ou apontamentos para entender como bibliotecas podem desenvolver raízes, ancorarem-se, firmarem-se e permanecerem. Aqui desenvolvo o início do que pode vir a se tornar a teoria do enraizamento biblioteconômico.
DC: Em que sua tese pode ser útil à sociedade?
AV: Essa pergunta me faz lembrar do dia em que, num súbito de aflição, fiz esse questionamento a mim e também ao meu orientador. Naquele momento eu temia que todos os esforços e todo empenho pudessem ter sido em vão. Mas hoje, depois de toda agitação passar, prefiro pensar que minha pesquisa pode ser importante para o campo da Biblioteconomia e sobretudo para o encaminhamento de políticas públicas, haja visto que o processo de inserção e/ou criação é discutido na tese como via importante para o enraizamento ou para a impermanência dessas instituições. Não podemos aceitar que o destino de nossas bibliotecas seja pautado em uma natureza episódica ou passadiça.
DC: Quais são as contribuições de sua tese? Por quê?
AV: Acredito que a tese pode ser relevante para juntos pensarmos caminhos de enraizamento sociocultural e político voltados para as bibliotecas brasileiras. Sobretudo, refletir essas instâncias como instituições e não como meras organizações, muitas vezes voltadas às demandas do mercado neoliberal (funcionalistas e instrumentalistas) ou outorgadas pelo poder público sem que antes tenham sido discutidas e pensadas no coletivo. Tornam-se, portanto, estranhas à comunidade e por essa razão desaparecem sem nenhum tipo de resistência. Nesse sentido, a contribuição é ligada ao que Paulo Freire chama de “esperançar” que não se resguarda na falsa esperança, que é a de quem espera na pura espera. A espera, para Freire, só é esperançosa quando se dá na unidade entre a ação transformadora do mundo e a reflexão crítica sobre ela exercida. Por esta razão eu discuto também as fraturas da formação bibliotecária a partir da minha própria formação. Boa parte da tese é escrita em primeira pessoa, exatamente porque não me resguardo dessa responsabilidade. Ao me colocar na berlinda, desejo encorajar os colegas de profissão e pesquisadores do campo a fazerem o mesmo. Qual a nossa responsabilidade diante do fenômeno de apagamento e obscuração em torno das bibliotecas? Nossa formação nos ajuda a atuar de modo resistente em cenários onde as bibliotecas nascem e morrem sem que a sociedade grite e lute por elas? O que temos pesquisado interfere positivamente na legitimação de “bibliotecas-instituições” ou na ascensão de “bibliotecas-organizações” que, na verdade não questionam suas existências ou nem seus papéis nas lutas sociais? Quero acreditar que talvez essas indagações possam nos ajudar a refletir a práxis no campo biblioteconômico, passando inclusive pela Ciência da Informação.
DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?
AV: Em parceria com meu orientador, refletimos sobre qual aspecto metodológico seria propício para pensarmos o geral (Brasil) a partir do local – escala reduzida (Floriano, PI). Encontramos o “paradigma indiciário”, pressuposto micro-histórico, discutido por Carlo Ginzburg, cujo conjunto bibliográfico sobre investigações em torno de julgamentos inquisitoriais, nos ofereceu caminho relativamente seguro para pensarmos a estruturação da pesquisa documental, o alinhamento das narrativas coletas e a análise posterior. Como tínhamos poucas provas materiais sobre as bibliotecas investigadas, a perspectiva indiciária nos ajudou a identificar os pontos analíticos: sinais, indícios e sintomas em torno do fenômeno de fechamento e/ou desaparecimento das bibliotecas.
DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a tese?
AV: Estou transpirando até hoje (rsrs). Brincadeiras à parte, essa pesquisa me rendeu alguns cabelos brancos e aprendizado em malabarismos retóricos porque tive que adentrar o campo empírico sem que as pessoas achassem que eu era uma espiã. É isso mesmo! A construção teórica foi difícil, certamente. A escrita é sem dúvida um momento solitário da pesquisa, mas a coleta de dados foi a fase mais desafiadora porque eu dependia totalmente das outras pessoas. Em dado momento, quem havia aceitado falar começou a esquivar-se. Mesmo com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, algumas pessoas ligadas ao serviço público começaram a ver a pesquisa como denunciativa (e era, mas não como pensavam) e por isso temiam por seus trabalhos e/ou funções. Durante esses momentos eu lembrava de um filme que meu orientador havia indicado. Antes de iniciar a pesquisa, ele pediu que assistisse ao filme “Uma cidade sem passado”, talvez prevendo que eu iria vivenciar grandes entraves, tal qual a protagonista do enredo fílmico.
DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da tese?
AV: Meu percurso no doutorado foi vivido com muito prazer e satisfação. Isso obviamente diz muito sobre como organizei minha vida para isso. Sempre internalizei que pesquisa deve ser um deleite. É fenomenal o processo das descobertas. É um encanto quando começamos a fazer as correlações teóricas com o campo empírico… a gente vai crescendo junto com a pesquisa e percebendo ao mesmo tempo que traçamos o caminho correto. Claro que isso não é sinônimo de facilidade. Foi complexo. Eu prefiro essa palavra ao invés da palavra “difícil”, que pressupõe determinismo. Quando entendemos a pesquisa em sua complexidade, a vivemos em suas correlações, em seus processos. É sob este panorama que enxergo a “boniteza “de uma pesquisa científica.
DC: Como foi o relacionamento com a família durante o doutorado?
AV: a minha família foi minha alavanca, foi meu travesseiro. Meu marido, que também é professor, nunca soltou minha mão. Inclusive foi ele quem lembrou que eu deveria fazer o doutorado. Meus filhos são teses em permanente construção. Só que essas “teses” não me fazem mestra e nem doutora, mas me dão a possibilidade de ser cada vez mais gente, me humanizam. Então a minha família me ajudava a lembrar da minha condição humana. Eu não poderia me coisificar durante o processo. Eu não era uma máquina, eu deveria continuar gente… parar, respirar e amar.
DC: Que temas de mestrado citaria como pesquisas futuras possíveis sobre sua tese?
AV: posso citar: “Práticas de Biblioteconomia Social e o enraizamento biblioteconômico”; “Estratégias de resistência política e o pertencimento territorial de bibliotecas públicas ou mesmo comunitárias”; “Enraizamento de bibliotecas: uma proposta de territorialidade”; “Biblioteca como lugar: um estudo sobre pertencimento bibliotecário”.
DC: Quais suas pretensões profissionais agora que você se doutorou?
AV: Atualmente trabalho em duas vias da Biblioteconomia, a profissional-técnica e a docente. Por conta dessa dupla atuação, tenho uma visão privilegiada do campo biblioteconômico, assumindo obviamente responsabilidades em dobro quando o assunto é a práxis. Nos últimos anos tenho ressignificado meu trabalho como bibliotecária, isso por conta dos estudos e das discussões realizadas em dois grupos de pesquisa que participo atualmente, o GPEB, Grupo de Pesquisa em Biblioeducação da ECA-USP focado na intersecção entre Biblioteconomia e Educação, e o GEMINFO, Grupo de Estudos e Pesquisas em Mediação da Informação e Circuitos de Formação Protagonista, vinculado a UESPI. Essas partilhas, estudos e experiências impactam também minha prática docente. Então minhas pretensões estão correlacionadas nessa via de mão dupla, mas ainda não sei defini-las em palavras.
DC: O que faria diferente se tivesse a chance de ter começado sabendo o que sabe agora?
AV: Não mudaria nada. Foi tudo como deveria ter sido. O processo me levou até aqui. Como diz o poeta grego Konstantínos Kaváfis, no poema Ítaca: “Ítaca deu-te a bela viagem. Sem ela não te porias a caminho. Sábio assim como te tornaste, com tanta experiência, já deves ter compreendido o que significam as Ítacas”.
DC: Como você avalia a sua produção científica durante o doutorado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?
AV: Durante o doutorado, tive uma produção tímida. Entrei no PPGCI (ECA/USP) em um período de transição quanto ao regimento. Hoje eu acho que estão mais exigentes quanto ao número de produções científicas. Na verdade eu achei ótimo. Pude transitar no doutorado sem essas exigências que, ao meu ver, estão mais ligadas a qualificar os programas do que necessariamente avaliar as produções dos pesquisadores. Hoje, após 4 meses do final dessa jornada, poderei escrever e produzir sob contexto mais tranquilo. Inclusive pensar na possibilidade de escrever um livro baseado na tese. Aprendi com meu orientador a valorizar a escrita de um texto, verdadeiramente, científico. Há muita responsabilidade em escrever na e para a ciência. Contudo, cito aqui alguns trabalhos resultantes da minha pesquisa:
Bibliotecas episódicas no Brasil: estudo sobre o fenômeno da impermanência em bibliotecas públicas situadas no nordeste do Brasil, na cidade de Floriano, estado do Piauí; apresentado e evento organizado pela Universidad Nacional de La Plata, na Argentina.
Território de formação e as novas demandas por inclusão e diversidade: o Projeto Político Pedagógico (PPP) do curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e a formação de protagonistas sociais; apresentado no Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, 30, 2024, Recife, Brasil.
Biblioeducação: entre leituras, debates e discussões, experiência a partir de temáticas transversais na casa da leitura, IFPI – Campus Floriano; publicado no E-book: “Temas emergentes em Ciências Sociais Aplicadas”.
Tenho mais dois trabalhos que tangenciam minha pesquisa, e que sairão agora, no início deste primeiro semestre, ambos capítulos de livros:
Bibliotecas interculturais: territórios de resistência, integralidade e bibliodiversidade.
Literatura infantil e violência: mediação em contexto educativo e sociocultural sob a perspectiva intersemiótica a partir do conto “o patinho feio” – que provavelmente será publicado no site do Congresso Internacional de Literatura Infantil e Juvenil
DC: Exerceu alguma monitoria/estágio docência durante o doutorado? Como foi a experiência?
AV: Fui tutora na disciplina Procedimentos de Pesquisa em Educomunicação (ECA/USP), ministrada pelo Prof. Dr. Claudemir Edson Viana. O estágio docente ficou inviável para mim, assim como tantas outras experiências que a USP me ofereceu. E foram muitas! Porém as dinâmicas da minha vida não permitiram.
DC: Elas contribuíram em sua tese? De que forma?
AV: Essa tutoria foi uma contribuição que ofereci aos alunos do curso de Educomunicação. E ao contribuir, relembrava os parâmetros em torno da pesquisa científica e seus desdobramentos, favorecendo-me indiretamente. Porque, enquanto ensinamos, aprendemos.
DC: Agora que concluiu a tese, o que mais recomendaria a outros doutorandos e mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?
AV: Desejo que outros pesquisadores se interessem por temáticas em torno das bibliotecas. Acredito que isso pode fortalecer o processo de legitimação dessas instituições e ao mesmo tempo enfraquecer ações para reduzi-las e/ou fechá-las. Quando houver um número significativo de pesquisas que trate diretamente de questões sobre bibliotecas no campo da Biblioteconomia, é provável que as políticas públicas acompanhem esse movimento. Mas enquanto estivermos com nossos olhos voltados para vias adjacentes à Biblioteconomia e ao nosso locus tradicional de atuação – a biblioteca, é quase certo que as bibliotecas permaneçam sob constantes ameaças.
DC: Como acha que deve ser a relação orientador-orientando?
AV: Reconheço que é um tipo de relação ainda muito arenosa. É triste pensar assim! Talvez por esta razão o relacionamento entre orientando e orientador ainda possa ser considerado difícil e lamentavelmente verticalizado. Tive uma excelente experiência com meu estimado orientador, prof. Edmir Perrotti. O considero um intelectual de altíssimo valor. Sinto-me privilegiada por ter caminhado ao seu lado nesta jornada. Diante do que vivi, gosto de fazer o seguinte comparativo: quando Hércules teve que vencer a Hidra de Lerna (bicho de sete cabeças ou mais – talvez uma pesquisa), ele percebeu que ao cortar as cabeças desse ser, em segundos elas se regeneravam. Foi a cauterização da ferida causada em Hydra, feita por um ajudante que o fez vencer. Ou seja, o orientador é esse sujeito que, em conjunto, vence a batalha. Se esse orientador não ajuda a cauterizar os problemas, ele não pode ser um protagonista nesse trajeto. Por outro lado, se não empunharmos com responsabilidade nossa espada, identificarmos os problemas e os eliminarmos, tão pouco poderemos ser protagonistas também.
DC: Sua tese gerou algum novo projeto de pesquisa? Quais suas perspectivas de estudo e pesquisa daqui em diante?
AV: Ainda não. Mas tenho algumas ideias que precisam ser articuladas.
DC: O que o Programa de Pós-Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de doutorado?
AV: Devo muito às articulações do programa. Creio que fez mais por mim, do que eu por ele.
DC: Você por você:
AV: Uma pessoa em constantes processos. Nordestina ávida por conhecimento. Gosta de risos, de ambientes acolhedores, de simplicidades e conversas. Ama sua família. Tem defeitos. E quem não tem?
Entrevistado: Andreina Alves de Sousa Virginio
Entrevista concedida em: 12 de janeiro de 2026
Formato de entrevista: Escrita
Redação da Apresentação: Iasmim Farias Campos Lima
Fotografia: Andreina Alves de Sousa Virginio
Diagramação: Iasmim Farias Campos Lima









