
Objetos de Aprendizagem e Acessibilidade para Síndrome de Down – Entrevista com Isledna Rodrigues

Objetos de Aprendizagem e Acessibilidade para Síndrome de Down – Entrevista com Isledna Rodrigues
Isledna Rodrigues De Almeida
isledna@gmail.com
Sobre a entrevistada
Em 2024, Isledna Rodrigues de Almeida defendeu sua tese pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba, sob orientação da Profa. Dra. Izabel França de Lima.
Natural de João Pessoa (PB), Isledna tem formação em Ciência da Computação e é docente na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), na área de Engenharia de Software e Informática na Educação, com ênfase em inclusão digital, usabilidade e acessibilidade. Seus hobbies são ler e assistir filmes.
Sua tese, intitulada “Objetos de aprendizagem como dispositivos informacionais para pessoas com Síndrome de Down”, analisa como tecnologias digitais podem contribuir para a inclusão e a aprendizagem de pessoas com Síndrome de Down. Realizado na APAE de João Pessoa, o estudo avaliou cinco objetos de aprendizagem, identificando dificuldades de uso e propondo melhorias para torná-los mais acessíveis, fáceis de utilizar e adequados ao processo de ensino-aprendizagem.Os resultados mostraram que, mesmo apresentando algumas limitações, os objetos de aprendizagem podem contribuir para o processo de ensino e aprendizagem, além de estimular o interesse, a atenção e a concentração das pessoas com Síndrome de Down.
Divulga-CI (DC): O que te levou a fazer o doutorado e o que te inspirou na escolha do tema da tese?
Isledna Rodrigues(IR): Decidi fazer o doutorado por já ser docente da Unidade Acadêmica de Serra Talhada-UAST/UFRPE. O que me inspirou foi que ao ministrar disciplinas na área de Interface Homem-Máquina e Informática na Educação, presenciei os desafios que as pessoas com deficiência têm no acesso à informação, e passei a incentivar os alunos a trabalharem a temática da inclusão digital e social desenvolvendo objetos de aprendizagem que pudessem ajudar as pessoas a suprir alguma barreiras na realização de suas atividades.
DC: Em qual momento de seu tempo no doutorado você teve certeza que tinha uma “tese” e que chegaria aos resultados e conclusões alcançados?
IR: Após a qualificação
DC: Citaria algum trabalho ou ação decisiva para sua tese? Quem é o autor desse trabalho, ou ação, e onde ele foi desenvolvido?
IR: Não um trabalho, mas sim a vivência e experiência de quando passei a ser voluntária na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE-JP).
DC: Por que sua tese é um trabalho de doutorado, o que você aponta como ineditismo?
IR: É um trabalho de doutorado por identificar barreiras tecnológicas nos Objetos de Aprendizagem (OA) existentes na internet que dificultavam o uso por pessoas com Síndrome de Down (SD), e por propor melhorias de acesso e uso desses recursos.
DC: Em que sua tese pode ser útil à sociedade?
IR: Ela auxiliará na inclusão de pessoas por meio do desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem (OA) mais acessíveis, não só para pessoas com Síndrome de Down (SD), mas para qualquer pessoa que tenha deficiência intelectual garantindo o aprendizado, a autonomia e a melhoria significativa de sua qualidade de vida.
DC: Quais são as contribuições de sua tese? Por quê?
IR: 1. Estudo bibliográfico e pesquisas em repositórios, identificando a ausência de objetos de aprendizagem específicos para pessoas com Síndrome de Down e mapeando os que contemplavam a Deficiência Intelectual (DI), característica marcante desse público-alvo;
2. Levantamento das necessidades e características das pessoas com SD;
3. Avaliação da acessibilidade e usabilidade desses OA;
4. Proposta das diretrizes para avaliar os OA para pessoas com Síndrome de Down.
DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?
IR: Utilizei o Método Quadripolar devido à sua dinâmica e flexibilidade, que o tornam adequado para a análise de objetos científicos informacionais. O método consiste em quatro polos: o epistemológico, que define o problema da pesquisa e orienta a construção do conhecimento; o teórico, que apresenta as ideias e os conceitos para compreender o tema estudado; o técnico, que define como a pesquisa será realizada e quais procedimentos serão utilizados; e o morfológico, que organiza e apresenta os resultados obtidos de forma clara e estruturada.
DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a tese?
IR: Foi 30% de inspiração e 70% de transpiração. Apesar de todo o apoio e ajuda da minha orientadora, enfrentei o período da pandemia e passei um tempo sem produzir, pois não conseguia fazer a coleta de dados por se tratar de um grupo prioritário. Isso me desestimulou, mas, no final, deu tudo certo e saiu como o esperado.
DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da tese?
IR: Sim. A participação da minha família foi primordial, assim como a da minha orientadora, que me deu todo o suporte para não desistir e continuar a pesquisa.
DC: Como foi o relacionamento com a família durante o doutorado?
IR: Graças a Deus, foi tranquilo. Embora eu tenha me ausentado em alguns momentos importantes, todos foram compreensivos e sabiam que o sucesso da tese impactaria a todos.
DC: Qual foi a maior dificuldade de sua tese? Por quê?
IR: Foi a pandemia. Peguei COVID-19 duas vezes durante o período da tese, e isso complicou o andamento da pesquisa.
DC: Quais suas pretensões profissionais agora que você se doutorou?
IR: Pretendo ampliar minhas pesquisas na área de inclusão digital, a fim de ajudar cada vez mais pessoas com deficiência.
DC: O que faria diferente se tivesse a chance de ter começado sabendo o que sabe agora?
IR: Eu me planejaria melhor com relação ao tempo e teria antecipado a qualificação da tese, pois ela traz um direcionamento de como conduzir a pesquisa. Quanto antes você qualifica, mais tempo tem para desenvolvê-la.
DC: Como você avalia a sua produção científica durante o doutorado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?
IR: Durante o doutorado, poderia ter produzido mais, porém, no geral, avalio a produção como positiva. Tenho colhido alguns frutos, como publicação em periódicos, participação em eventos, orientação de TCCs, projetos de extensão, atuação como avaliadora de periódicos e participação em grupos de pesquisa.
1. Repositórios digitais como espaços de memória e disseminação de informação.
2. Objetos de Aprendizagem como Dispositivos Informacionais Para Pessoas com Síndrome de Down.
5. Acessibilidade de Objetos de Aprendizagem: estudo de caso na APAE-JP.
DC: Exerceu alguma monitoria / estágio docência durante o doutorado? Como foi a experiência?
IR: Não, mas gostaria de ter tido essa experiência
DC: Agora que concluiu a tese, o que mais recomendaria a outros doutorandos e mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?
IR: Recomendo estudar outras técnicas de avaliação de usabilidade e acessibilidade para ampliar a quantidade de critérios avaliados, além de verificar o uso de Objetos de Aprendizagem para outros públicos.
DC: Como acha que deve ser a relação orientador-orientando?
IR: Parceria, respeito e cumplicidade
DC: Sua tese gerou algum novo projeto de pesquisa? Quais suas perspectivas de estudo e pesquisa daqui em diante?
IR: Sim, estou desenvolvendo um projeto de pesquisa e extensão voltado ao estudo de novos métodos de alfabetização para pessoas com Deficiência Intelectual (DI), em parceria com a APAE de Serra Talhada (PE).
DC: O que o Programa de Pós-Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de doutorado?
IR: O Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) proporcionou o suporte acadêmico necessário para a realização e a conclusão satisfatória do doutorado, por meio da coordenação, dos docentes e dos funcionários do programa. Em paralelo, cumpri minhas responsabilidades como discente, de acordo com as exigências do curso.
DC: Você por você:
IR: Superação
Entrevistada: Isledna Rodrigues De Almeida
Entrevista concedida em: 01 de agosto de 2026
Formato de entrevista: Escrita
Redação da Apresentação: Marcelly Yasmim Portela
Fotografia: Isledna Rodrigues De Almeida
Diagramação: Marcelly Yasmim Portela










