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v. 3, n. 09, set. 2025
Entre a demanda e a escassez: onde está o bibliotecário escolar qualificado?, por Elani Araújo

Entre a demanda e a escassez: onde está o bibliotecário escolar qualificado?, por Elani Araújo

Entre a demanda e a escassez: onde está o bibliotecário escolar qualificado?

Elani Araújo

dicadebibliotecaria@gmail.com

Algum tempo atrás, na escola em que trabalho, começamos a estudar a possibilidade de contratar um bibliotecário para ficar na terceira biblioteca da escola e que há pouco havia sido construída para abrigar o fundamental maior e o médio. Sabíamos que seria um tanto complexo por querer alguém com habilidades específicas, só não sabíamos que seria uma saga…

Era uma biblioteca novinha, com uma estrutura de fazer inveja a muitas bibliotecas universitárias, sem falar que é uma escola que é realmente feita por educadores que investem no espaço. Por lá, havia um rodízio de colaboradores da escola, e eu, sozinha, não dava conta de concluir o acervo para que a sala fosse de fato uma “biblioteca” e, por isso, ficou sendo sala de estudo.

Mas, um dia, conseguimos o número mínimo de livros, e lá fui eu atrás de ver o procedimento para solicitar uma colega de profissão. Cabe ressaltar que eu era apenas bibliotecária do infantil e focava na biblioteca que eu trabalhava, e não nas demais, apesar de me colocar à disposição para construção de acervos e realizar atividades com todos os públicos da escola. O que quero dizer é que eu não era responsável pelo setor, e muito menos sabia qual era o procedimento a seguir. Mas o que eu sabia era que não perderia a oportunidade de contar com outra profissional para dividir comigo as atividades literárias de toda essa escola, que abrange desde o infantil até o pré-vestibular.

Bom, após uma reunião interessante, recebemos a autorização para iniciar os estudos para o novo cargo. Em parceria com o setor de RH, descrevemos o cargo, definimos as competências pertinentes e o que esperávamos do novo ou da nova colaboradora. Achava eu que a parte mais difícil seria essa — mas, amigos e amigas, a saga apenas começava.

Iniciamos a divulgação da vaga entre pares e, para meu desespero, apenas cinco pessoas se candidataram. Dessas, somente duas tinham experiência de estágio na área escolar. Fizemos a análise dos currículos, e foi aí que percebi que teríamos muito trabalho pela frente.Para meu espanto, poucos currículos foram realmente pensados para se destacar no certame: mal estruturados e com poucas informações relevantes. Por exemplo: não mencionavam estágios, tampouco as atividades que dominavam e que seriam interessantes para o recrutador conhecer. Outro agravante: quase nenhum curso na área. Quando havia muitos dados, a maioria não era de nosso interesse, pois se referia a experiências em outros setores.

Elani Araújo mantém o perfil @dicadebibliotecaria no Instagram

Mesmo com todas essas questões, decidimos chamar todos os candidatos. E aí veio mais um martírio: apenas dois confirmaram presença — e um deles não compareceu.

Resolvemos abrir uma segunda divulgação da vaga, e aconteceu a mesma coisa. Depois da terceira rodada de tentativas para encontrar a pessoa certa, conseguimos uma contratação. Mas eu disse que era uma saga — e ela ainda vai continuar.

Agora, vamos a algumas questões desta primeira parte.

O que trago aqui é a problemática da falta de habilidades e da ausência de aquisição de novas competências por parte de muitos profissionais e estudantes. Como esperar sair da universidade e encontrar meu lugar ao sol, se faço apenas o mínimo e não sou proativo na construção do meu próprio futuro?

Aqui vão algumas dicas que eu gostaria que os concorrentes à vaga que abrimos soubessem:

    1. Comunique-se! Com colegas, professores, coordenadores e profissionais da área. Essas relações podem ser a porta de entrada nas empresas. Deixe as pessoas saberem que você está disponível para projetos e possibilidades.  

    2. Faça parte ativamente dos grupos culturais e literários, fazendo parte das organizações de eventos/projetos e atuando em bibliotecas comunitárias.

    3. Cursinhos e palestras são os maiores aliados de um bom currículo. Há centenas de cursos e palestras gratuitos em toda a internet. Cada participação neles é um passo a mais na construção do profissional que você deseja ser.

    4. Leia!! Parece brincadeira, mas é assustador o quanto muitos bibliotecários que desejam atuar em bibliotecas escolares se esquecem do básico: ser leitor para formar leitores.

    5. Leia livros técnicos e artigos. É por meio deles que você construirá uma base sólida de conhecimento, que poderá ser transmitida durante a entrevista.

    6. Aprenda a vender o seu peixe! As entrevistas costumam ser muito parecidas, independentemente da empresa. Ou seja, há diversas dicas na internet sobre postura, vestimenta, como responder às perguntas clássicas e até orientações básicas, como não levar o currículo dobrado ou amassado (sim, isso aconteceu em uma das entrevistas). Sorria, saiba falar sobre sua profissão e sobre você.

Agora que você já conhece o caminho das pedras para a entrevista, precisamos falar do “após a contratação”. Pois é, não usei o termo saga em vão. Conseguir o tão sonhado emprego não significa que você deve diminuir o ritmo na construção do seu futuro profissional.

Lembro-me de que, quando assumi o cargo de bibliotecária do infantil, os empréstimos eram mínimos, mesmo com um bom acervo e localização privilegiada. Fiquei observando o movimento e já pensando no que poderia fazer para resolver uma questão que, para mim, era importante: por que realizavam-se apenas 70 empréstimos por semana, se tínhamos mais de 300 alunos matriculados, que passavam em frente à biblioteca diariamente?

Note que eu poderia ter ficado quieta, passando os dias achando até bom o clima de calmaria, quem sabe até aproveitando para estudar para concursos, afinal, o salário não era grandes coisas mesmo… Mas eu tinha um propósito, e meu propósito era ser a melhor profissional que eu poderia ser.

E o que ganhei com esse empenho? Uma biblioteca cheia, viva! Projetos quinzenais, bimestrais e anuais de grande importância para a comunidade. Tornei-me a pessoa que auxilia os professores em suas dúvidas e projetos literários. Recebi três aumentos e uma promoção, pois criaram o cargo de coordenadora de biblioteca para formalizar aquilo que eu já fazia pelas três bibliotecas.O que percebi nestes 10 anos como bibliotecária escolar, coordenadora de bibliotecas e pelo direct do projeto @dicadebibliotecaria é que as pessoas ficam infelizes porque não sabem o que fazer para conquistar reconhecimento e não têm interesse em fazer o necessário. Isso torna o nosso fazer digno de “qualquer um”, afinal, qualquer pessoa pode organizar uma biblioteca, comprar e emprestar livros. Precisamos fazer uma simbiose com a área em que estamos atuando, para que, assim, sejamos beneficiados: nós mesmos, a biblioteca e a instituição. Para finalizar, se eu puder dar dicas para você que está lendo e quer o tão merecido reconhecimento, são elas:

 1. Seja autoridade da sua área! Leia, especialize-se, estude muito e saiba falar sobre tudo o que diz respeito ao acervo e aos projetos da biblioteca;

2. Busque fazer com que as pessoas certas saibam do quanto a biblioteca se beneficia da sua presença. Elabore relatórios e deixe-os na mesa de todos que precisam estar cientes;

3. Se for tímida, trate a timidez. Quem não é visto não é lembrado.

4. Projetos fora das quatro paredes e muita parceria com professores. Essa é sem dúvidas a dica principal. Sem esta parceria, sinto muito, pouco – ou nada – avançará. 

Elani Araújo mantém o Canal @dicadebibliotecária no YouTube

Faça por você, pelo seu futuro, para que acorde todos os dias com um propósito. O reconhecimento virá, seja em uma empresa ou em outra. A questão é estar preparado para as melhores oportunidades.


Redação: Elani Araújo
Fotografia: Elani Araújo
Diagramação: Iasmim Farias Campos Lima

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