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v. 4, n. 03, mar. 2026
Muito além das estantes: cultura, propósito e a construção de uma carreira na Biblioteconomia, por Paola Nascimento

Muito além das estantes: cultura, propósito e a construção de uma carreira na Biblioteconomia, por Paola Nascimento

Muito além das estantes: cultura, propósito e a construção de uma carreira na Biblioteconomia

Paola Nascimento
paolatnascimento@gmail.com

]Minha história com as leis de incentivo começou ainda na graduação. Já na 3ª fase, eu havia decidido que não queria atuar apenas na parte técnica da área. Sempre entendi que a Biblioteconomia é, e continua sendo, muito mais do que espaços físicos e acervos. Ela ultrapassa caixas, rótulos e nichos de atuação.
Em 2014, na 5ª fase do curso, iniciei meu estágio não obrigatório na empresa “Incentive”. Na época, eu mesma não compreendia muito bem por que uma empresa privada, voltada à gestão de projetos, buscaria uma estagiária da área de Biblioteconomia. Com o tempo, essa resposta foi ficando clara.
Ainda naquele período, surgiu a oportunidade de viajar ao Ceará para realizar o diagnóstico de uma cidade chamada Trairi, com cerca de 54 mil habitantes, localizada a mais de 100 km de Fortaleza. O objetivo era entender as demandas do município e identificar como projetos incentivados poderiam contribuir para o seu desenvolvimento. Foi uma semana intensa, repleta de reuniões, desafios e, sobretudo, trocas. Acabei me apaixonando pela cidade.
Como resultado desse diagnóstico, surgiu o primeiro projeto: a construção de um centro de cultura. A proposta era oferecer a Trairi um equipamento cultural completo, com auditório, camarins, salas de oficinas, biblioteca, museu, foyer, banheiros acessíveis, entre outros espaços. Esse sonho levou quase 10 anos para se concretizar.
Em 15 de julho de 2024, o Centro de Cultura de Trairi finalmente foi inaugurado. Hoje, o espaço atende alunos com oficinas de teatro, dança, coral e música, além de oferecer espetáculos circenses, apresentações musicais e sessões de cinema.
Ainda durante a graduação, percebi que a gestão de projetos e a captação de recursos começaram a ocupar um espaço cada vez maior na minha trajetória acadêmica e profissional. Foi ali que encontrei o caminho que desejava seguir, antes mesmo de concluir a formação.
Desde que ingressei na Incentive, em 2014, grande parte dos projetos com os quais atuei esteve, e ainda está relacionada à construção e às atividades de centros culturais em diversos estados do Brasil, como Santa Catarina, Paraná, Goiás e Ceará. Atualmente, também participo de projetos na Bahia e no Maranhão.
Em números, já estive envolvida em mais de 50 projetos, participando de diferentes etapas, como diagnóstico, elaboração, acompanhamento, captação de recursos e prestação de contas, ao longo de quase 12 anos de atuação. Nesse período, mais de R$ 30 milhões de reais foram geridos em projetos voltados a centros culturais em todo o país.
Por se tratar de uma área ainda pouco explorada dentro da Biblioteconomia, a partir de 2016 passei a ministrar palestras sobre leis de incentivo, especialmente sobre a Lei nº 8.313/1991, conhecida como Lei Rouanet. Desde então, venho me dedicando a cursos e palestras, principalmente no meio acadêmico, com o objetivo de desmistificar a Lei e mostrar como ela pode beneficiar bibliotecas, centros culturais, centros de documentação, arquivos, museus e outras unidades de informação.

Primeira página do artigo: Captação de recursos via Lei Rouanet (8.313/1991) para projetos culturais no Brasil / RBBD

Para profissionais que desejam atuar com projetos incentivados, especialmente por meio da Lei Rouanet, acredito que o primeiro passo é compreender como essa ferramenta pode beneficiar sua instituição. A Lei permite a captação de recursos para projetos como construção e preservação de equipamentos culturais, além da aquisição e digitalização de acervos. É importante lembrar que ela é regulamentada por decretos e instruções normativas, que apresentam particularidades de acordo com cada tipo de projeto.

Outro ponto essencial é entender quem são os possíveis incentivadores. A Lei Rouanet não “entrega” recursos diretamente aos proponentes. Ela autoriza que pessoas físicas e jurídicas destinem parte do imposto de renda devido a projetos aprovados pelo Ministério da Cultura. Ou seja, o governo deixa de arrecadar uma parte desse valor para que ele seja investido diretamente em iniciativas culturais.

Capa da Cartilha Lei Rouanet (Projeto Incentive Cultura) /  Imagem: Incentive

Compreender esse fluxo é fundamental para estruturar projetos alinhados às necessidades das unidades de informação e, ao mesmo tempo, transmitir credibilidade e confiança aos incentivadores.

Tenho orgulho de dizer que, ao longo de quase 12 anos atuando diretamente com projetos incentivados, a grande maioria das nossas prestações de contas foi aprovada, sem histórico de reprovação, inclusive com retornos positivos do próprio Ministério da Cultura elogiando nossos relatórios. Isso reforça que estamos no caminho certo, priorizando o bom uso dos recursos públicos.

Por fim, saber que sou considerada uma referência nessa área, ao menos é o que escuto com frequência, e poder compartilhar esse conhecimento com colegas e com a própria Biblioteconomia é extremamente gratificante. Mais do que uma atuação profissional, isso representa um propósito maior: levar informação a todos os lugares e de diferentes formas, utilizando a cultura como uma poderosa ferramenta de transformação social.

Conheça também:

NASCIMENTO, Paola Thais Oliveira do. Captação de recursos via Lei Rouanet (8.333/1991) para projetos culturais no Brasil. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 15, p. 23–33, 2019. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1237 . Acesso em: 1 mar. 2026.

KADLETZ, Mariana. Cartilha Lei Rouanet (Projeto Incentive Cultura). Revisão de Raphael de Aguiar Ribeiro, Paola Nascimento e Tayana Kadletz. Edição 2025. [S.l.]: Incentive, 2025. E-book. Disponível em: https://incentivedeverdade.com.br/cartilhas/cartilha-lei-rouanet/ . Acesso em 1 mar. 2026.

Sobre a autora

Paola Thais Oliveira do Nascimento Vieira

Gestora de Projetos pela empresa INCENTIVE. Ministra cursos e palestras sobre a Lei em Unidades de Informação.

Mestra em Gestão da Informação e Bacharela em Biblioteconomia pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Especialista em Gestão de Projetos e Programas Sociais pela Universidade Cândido Mendes.


Redação: Paola Thais Oliveira do Nascimento Vieira

Fotografia: Incentive / RBBD

Diagramação: Iasmim Farias Campos Lima

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