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v. 4, n. 03, mar. 2026
Estudantes de Biblioteconomia da UNIR produzem livro com experiências acadêmicas, por Andréa Doyle e Talita Silveira

Estudantes de Biblioteconomia da UNIR produzem livro com experiências acadêmicas, por Andréa Doyle e Talita Silveira

Estudantes de Biblioteconomia da UNIR produzem livro com experiências acadêmicas

Andréa Doyle e Talita Silveira
andrea.doyle@unir.br | talita.a.doula@gmail.com

O livro “Tríade universitária na Biblioteconomia da UNIR” é o resultado do trabalho coletivo de docentes e discentes do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Rondônia, a UNIR. Os capítulos apresentam recentes experiências de ensino, relatam pesquisas, em sua maioria advindas de trabalhos de conclusão de curso, e explicitam projetos de extensão desenvolvidos no âmbito do Departamento Acadêmico de Ciência da Informação. 

O curso de Biblioteconomia da UNIR foi iniciado em 2009, passou por uma reformulação do seu projeto pedagógico em 2018 e, em 2023, foi o primeiro curso da UNIR a ser avaliado pelo Inep/MEC com a nota 5, a maior pontuação possível de um curso de graduação. Essa nota consolidou tanto os esforços da gestão da Universidade Federal de Rondônia em propiciar melhor infraestrutura e novos servidores, quanto o trabalho do corpo docente na dinamização do curso.

É importante frisar que a UNIR é a única universidade federal pública e gratuita do estado de Rondônia e que foi recentemente avaliada pelo Inep/MEC com a nota 5, demonstrando, incontestavelmente, a oferta de uma formação superior de máxima qualidade. 

O livro é também fruto do trabalho da turma de Editoração de 2025.2, em parceria com o Selo Nyota, que supervisiona o trabalho de editoração realizado pela turma, orientada pelas professoras doutoras Andréa Doyle e Franciéle Garcês-da-Silva. Em um esforço de curricularização da extensão, o projeto derivado da disciplina oportuniza a discentes atuar em situação real de trabalho com a produção de um produto concreto, uma contribuição efetiva ao curso e à comunidade biblioteconômica como um todo. Os nove estudos apresentados revelam um eixo comum: a informação está no centro da construção de sentidos, da mediação cultural, da garantia de direitos e da formação de narrativas sociais. Embora tratem de temas distintos — arte independente, museus, políticas editoriais, acessibilidade, desinformação, comunicação científica e mediação da informação —, todos demonstram como o modo de organizar, circular e acessar informações impacta diretamente a vida social, cultural e política.

Capa do E-book “Tríade Universitária na Biblioteconomia da UNIR”

A pesquisa do grupo de estudo coordenado pela professora doutora Djuli Machado de Lucca reforça a importância da cooperação acadêmica e da produção coletiva de conhecimento. O estudo evidencia que experiências de ensino e extensão do grupo de pesquisa GCInMe funcionam como espaços de construção metodológica, troca de saberes, fortalecimento científico e formação de novos pesquisadores.

O estudo sobre mediação da informação aprofunda o entendimento desse processo como prática social que conecta pessoas, contextos e sentidos. Ao discutir dimensões teóricas e aplicações práticas, a pesquisa demonstra que mediar informação não é apenas transmitir conteúdos, mas interpretar, contextualizar e criar condições de compreensão.

O estudo sobre o projeto Divulga-CI destaca o papel da divulgação científica na formação de uma cultura informacional mais crítica. Ao analisar práticas, formatos e estratégias de comunicação, a pesquisa mostra como iniciativas de popularização da ciência podem ampliar o acesso ao conhecimento e aproximar produção acadêmica e sociedade.

A pesquisa sobre o Museu Itinerante 3D revela como práticas de mediação cultural aproximam o público do patrimônio e da memória estadual, ao mesmo tempo em que expõem os desafios de comunicação entre instituições, territórios e comunidades. A mediação se afirma como ponte entre informação e experiência cultural.

Contracapa do E-book “Tríade Universitária na Biblioteconomia da UNIR”

No campo da arte e da música, o estudo sobre o movimento “MPBera” evidencia o papel essencial da presença digital, dos algoritmos, dos metadados e das estratégias de visibilidade. Esses elementos se tornaram fundamentais para ampliar o alcance de produções historicamente marginalizadas, especialmente as oriundas da região Norte.

O trabalho sobre o mapeamento de livros de arte evidencia a importância da organização informacional para a construção de acervos e para a preservação da memória artística. Ao analisar critérios de descrição, curadoria e acesso, o estudo mostra como catálogos bem elaborados tornam obras, autores e movimentos mais visíveis e pesquisáveis.

A pesquisa sobre desinformação de gênero e discurso de ódio, tomando como referência o caso da pugilista Imane Khelif nas Olimpíadas de 2024, expõe o lado mais nocivo do ecossistema informacional. Fake news e ataques transfóbicos distorcem fatos, reforçam preconceitos e moldam percepções. Entender esses mecanismos é fundamental para enfrentar a desinformação e promover ambientes digitais mais éticos.

O estudo sobre acessibilidade nas políticas editoriais destaca que democratizar o conhecimento exige mais que intenção. Diretrizes claras, práticas permanentes e ações efetivas são necessárias para garantir justiça informacional. A ausência de políticas consolidadas evidencia que o acesso pleno ainda é um desafio importante no campo editorial.O estudo “O processo de curadoria de dados junto às bibliotecas universitárias de Porto Velho/RO” realizou um mapeamento das instituições de ensino que possuem políticas voltadas para repositórios digitais. A pesquisa mostrou que os gestores dessas unidades ainda têm pouco domínio sobre práticas de curadoria de dados, embora demonstrem abertura para conhecer novas possibilidades e caminhos na área. Observou-se também que, apesar de existirem planos de gestão de pesquisa, eles estão desatualizados e não contemplam estratégias de preservação digital.

Em conjunto, todas essas pesquisas deixam evidente que a informação não é neutra. Ela constrói identidades, legitima discursos, amplia ou restringe acessos, fortalece culturas ou sustenta estruturas opressivas. Organizar, mediar, avaliar e tornar acessíveis os fluxos informacionais não é somente uma tarefa técnica, é um ato profundamente político.

Compreender os processos informacionais é compreender também as dinâmicas sociais do país. A luta pela informação na arte independente, nas instituições culturais, nas políticas públicas, nos catálogos, nos grupos de pesquisa, na comunicação científica e nas redes sociais é, no fundo, uma luta por visibilidade, equidade, pertencimento e justiça social. O campo da informação se torna, cada vez mais, um espaço estratégico para pensar o Brasil, especialmente a partir da região norte.

Acesse o e-book em:

DOYLE, Andréa; GARCÊS-DA-SILVA, Franciéle Carneiro. (org.). Tríade universitária na Biblioteconomia da UNIR. Florianópolis, SC: Selo Nyota, 2025. 238 p. Disponível em: https://www.nyota.com.br/_files/ugd/c3c80a_7496a6fd97c249b9960c5da20c704072.pdf . Acesso em: 4 mar. 2026.

André Doyle

Professora junto ao Departamento Acadêmico de Ciência da Informação da Universidade Federal de Rondônia. Líder do grupo de pesquisa Informação Social e Gênero da Universidade Federal de Rondônia.

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bacharela em Métiers de l’Information et de la Communication, pela Université de Metz (França).

Talita Silveira

Acadêmica do Curso de Bacharelado em Biblioteconomia da Universidade Federal de Rondônia.


Redação: Andréa Doyle e Talita Silveira

Fotografia: Andréa Doyle e Talita Silveira

Diagramação: Pedro Ivo Silveira Andretta

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