
O Museu Amazônico e sua importância para a pesquisa e extensão, por Dysson Teles Alves

O Museu Amazônico e sua importância para a pesquisa e extensão
Dysson Teles Alves
dysson@ufam.edu.br
O Museu Amazônico é um órgão suplementar da Universidade Federal do Amazonas, criado em 1989 e implantado em 1991. Tem como principal missão apoiar a pesquisa, o ensino e a extensão, notadamente nas áreas de História, Antropologia e Arqueologia, que constituem o pilar científico do museu. Funcionando como um órgão dinâmico e atuando especificamente com a temática amazônica, o museu rompe com a antiga tradição de ser apenas um lugar de guarda e exposição de objetos antigos. Caracterizado como um equipamento cultural e, portanto, parte ativa no processo de integração da universidade com a sociedade, tem procurado ajustar seus mecanismos de ação, visando intensificar essa relação por meio de projetos e outras atividades afins.
A história do Museu tem seu início na década de 1970, quando os estatutos da Universidade previam a existência de órgãos suplementares subordinados diretamente à Reitoria, incluindo-se o Museu Amazônico. No entanto, sua criação não se deu de forma imediata.
Em 1979, foi criada a Comissão de Estudos da Amazônia – CEDEAM, como uma instituição de pesquisa no âmbito da Universidade do Amazonas, com a incumbência de recuperar, por meio de imagens, a documentação histórica relativa à Amazônia, presente no Arquivo Histórico Ultramarino, na Biblioteca Municipal do Porto e na Biblioteca Nacional de Lisboa, todos localizados em Portugal. Essa documentação representa uma massa significativa de material historiográfico, capaz de dar suporte a vários projetos de pesquisa sobre o passado da região amazônica e suas relações complexas com a sociedade nacional.

Com a perspectiva de organizar as fontes, primárias e secundárias, relativas à Amazônia, o CEDEAM, por meio de seu centro de documentação, passou a oferecer as condições necessárias para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas, especialmente no que diz respeito ao processo de colonização da Amazônia, abrangendo um espaço temporal que vai do século XV até meados do século XIX. Talvez por compreender que a tarefa de reunir, registrar e catalogar essa documentação existente nos arquivos portugueses estivesse chegando ao fim, o CEDEAM foi extinto em dezembro de 1987, transferindo seu acervo documental e bibliográfico para o Museu em 1991. Portanto, contextualizá-lo nesse processo é fundamental para compreender o papel atual do Museu Amazônico junto à sociedade.
A partir de sua implantação, o Museu Amazônico vem continuamente enriquecendo seu acervo, adquirindo-o por doação ou por compra, incluindo itens de valor histórico imensurável, como o acervo documental e iconográfico das Empresas J. G. Araújo, que abrange desde o final do século XIX até meados do século XX. Outros acervos também foram incorporados ao Museu Amazônico, todos de alto valor histórico, tais como: Coleção Silvino Santos; Coleção Márcio Souza; Coleção Manuel Bastos Lira; coleção de fotografias de Manaus Antiga; coleções etnográficas; e coleções de cultura material indígena e Ribeirinha. Detentor de um rico acervo, o Museu Amazônico, por meio de seus profissionais, organiza e disponibiliza seus materiais, visando facilitar o acesso à pesquisa e acelerar a recuperação da informação.
Em função de seu vínculo com a tríade da Universidade — ensino, pesquisa e extensão —, a responsabilidade institucional do Museu Amazônico está definida por sua capacidade científica de promover, de forma criativa, a interdisciplinaridade dos conhecimentos produzidos pelos agentes acadêmicos e, sobretudo, de propor uma reflexão sobre a relevância da diversidade socioambiental em tempos de globalização. O Museu procura afirmar-se como uma instituição de referência nos estudos amazônicos, por meio da pesquisa, da preservação e da divulgação dos acervos científicos e culturais sob sua guarda, possibilitando, dessa forma, uma reinterpretação da Amazônia em diferentes linguagens e epistemologias.
No aspecto externo, o Museu promove a difusão científica, reverberando os conhecimentos gerados por distintos agentes sociais e criando novas relações com parceiros de diversas áreas do conhecimento.

Para executar seu planejamento, o Museu Amazônico traçou quatro linhas de ação, seguindo um roteiro previamente estabelecido:
1. Projetos Formativos:
Identificam-se como aqueles cujos objetivos estão voltados para o processo de ensino-aprendizagem. São ações de extensão executadas junto a escolas públicas e particulares do estado e do município, envolvendo professores e alunos. Ademais, o projeto alcança estudantes universitários, pesquisadores e professores por meio de palestras e da organização de debates com convidados.

2. Projetos Expositivos:
São projetos elaborados pela equipe técnica do Museu e têm como objetivo apresentar, em forma de exposição, os resultados de pesquisas realizadas em seus acervos de preferência. Além disso, o Museu recebe propostas, para análise, de artistas de vários segmentos, cujas ideias tenham relação com a temática amazônica. Sendo aprovadas, essas propostas são autorizadas para apresentação utilizando o espaço do Museu Amazônico.
3. Projetos de Gestão:
São aqueles projetos que norteiam a direção do Museu no planejamento de ações anuais, em consonância com as propostas da administração superior. Nesse momento, são analisadas as demandas, tanto internas quanto externas, privilegiando aquelas que potencializam as atividades institucionais. O planejamento deve estar sempre voltado ao atendimento ao público, respeitando a missão e os objetivos do Museu.
4. Organização e Participação em Eventos:
São atividades planejadas em conjunto com escolas, programas de pós-graduação, pesquisadores individuais, instituições de pesquisa, entre outros, além da grade de programação fixa dos eventos formais dos quais o Museu participa. Essa linha de trabalho busca oferecer o espaço do Museu para agregar e divulgar conhecimentos.
De maneira geral, os museus, há muito tempo, têm modificado seu papel, deixando de lado a categoria de museu-templo e passando à categoria de museu-fórum. Se antes o museu se limitava a transformar um objeto em obra de arte, retirando-o do “circuito da vida” e incorporando-o aos seus acervos — eliminando suas funções e significados originais mais profundos e atribuindo-lhe uma nova natureza, sobretudo estética e material —, atualmente, os museus tornaram-se espaços de encontros, trocas culturais e sociabilidade, sem negligenciar o aspecto da sensibilidade, do encantamento e, sobretudo, do aprendizado.
Como consequência, esses espaços têm proporcionado uma nova relação entre a pessoa e o objeto, acompanhada do aumento de sua exposição pública e do interesse pelo acesso às coleções.
Sobre o autor:
Diretor e Arquivista do Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas.
Doutor em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará. Mestre em História pela Universidade Federal do Amazonas.
Redação: Dysson Teles Alves
Foto: Dysson Teles Alves
Diagramação e Revisão: Alex Sandro Lourenço da Silva e Iasmim Farias Silva









