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v. 3, n. 05, maio 2025
Indexação e filmes de terror: categorização cinematográfica em plataformas de vídeo on demand – Entrevista com Rafael do Carmo

Indexação e filmes de terror: categorização cinematográfica em plataformas de vídeo on demand – Entrevista com Rafael do Carmo

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Indexação e filmes de terror: categorização cinematográfica em plataformas de vídeo on demand – Entrevista com Rafael do Carmo

Rafael do Carmo
rafael.bibufsm@gmail.com

Sobre o entrevistado

Em 2022, o bibliotecário Rafael do Carmo defendeu sua dissertação de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob orientação do Prof. Dr. Thiago Henrique Bragato Barros.

Natural de Recife, Pernambuco, Rafael tem como hobby ir ao cinema. No âmbito profissional, atua como bibliotecário na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Sua dissertação: “Indexação e gêneros cinematográficos: análise da categorização de filmes de terror em plataformas de vídeo on demand” teve como tema geral a representação ou categorização de filmes. O pesquisador investigou como três plataformas de streaming de filmes (ou vídeo por demanda) – Globoplay, Netflix e Amazon Prime Video – “traduzem” o conteúdo de filmes de terror dentro das suas interfaces e como elas apresentam essas informações aos usuários, comparando-as com o que se destacava na literatura sobre o gênero cinematográfico terror.

Convidamos Rafael para nos contar, nesta entrevista, sobre sua experiência no mestrado, o desenvolvimento de sua pesquisa e seus projetos para o futuro.

Divulga-CI: O que te levou a fazer o mestrado e o que te inspirou na escolha do tema da dissertação?

Rafael do Carmo (RC): Quando concluí a graduação, tive a certeza de que em algum momento da minha carreira como bibliotecário, iria seguir para o mestrado. A experiência de escrever o TCC foi bem empolgante e o fato de o corpo docente da universidade onde cursei a graduação (UFPE) ter sido tão receptivo ao tema me animou no processo. Na época, escrevi sobre a utilização da crítica cinematográfica como apoio a dois processos comuns da área da CI (indexação e catalogação de filmes). No mestrado, quis partir para uma abordagem mais próxima dos gêneros cinematográficos e a presença massiva de plataformas de streaming me instigou a entender se o que essas plataformas apresentam como tags ou categorias centrais correspondiam em algum grau ao que se debate nas pesquisas sobre filmes e suas divisões centrais (gêneros cinematográficos). Uni o útil ao agradável.

DC: Quem será o principal beneficiado dos resultados alçados?

RC:  Pesquisadores de cinema, streaming e interessados na organização do conhecimento audiovisual e reprodução deste conhecimento em plataformas.

DC: Quais as principais contribuições que destacaria em sua dissertação para a ciência e a tecnologia e para a sociedade? 

RC: Acredito que a plataformização – disponibilidade de um conjunto de recursos e serviços em plataformas sob demanda –  do entretenimento não é um fenômeno isolado e nem é recente. Contudo, percebo que há pouca produção na área sobre os efeitos dessa plataformização na forma com que esse usuário interage com o documento ou com o conhecimento obtido a partir daí. Meus esforços entram neste contexto.

DC: Seu trabalho está inserido em que linha de pesquisa do Programa de Pós Graduação? Por quê?

RC: Meu trabalho foi inserido na linha 1 – Produção e Organização da Informação do PPGCIN – UFRGS. A inserção nesta linha vem do uso de autores mais próximos da OC. Também considero que, por se tratar de uma pesquisa voltada à categorização, o tema está mais próximo desta linha do que as outras disponíveis no programa.

DC: Citaria algum trabalho ou ação decisiva para sua dissertação? Quem é o autor desse trabalho, ou ação, e onde ele foi desenvolvido?

RC: Acho que toda a produção de Rosa Inês Novaes Cordeiro (professora titular da UFF) foi uma grande fonte de inspiração desde a graduação. Ela fez um esforço pioneiro em utilizar ferramentas e teorias da ciência da informação em pesquisas sobre o documento audiovisual. Em especial, o artigo “Informação cinematográfica e textual: da geração à interpretação e representação de imagem e texto” lançado em 1996 me toca até hoje, por justamente simbolizar uma produção que merecia mais destaque na área.

DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?

RC: De início fiz o que considero padrão quando tento produzir qualquer texto – selecionar alguns termos relevantes e pesquisar na CAPES e bases de dados específicas na ciência da informação e do cinema. Nessa pesquisa, acabei encontrando algumas ferramentas utilizadas em outras pesquisas que foram úteis a minha pesquisa. Escolhido o instrumento, tive um período de diálogo com o orientador na época para verificar se realmente os instrumentos utilizados poderiam fornecer informações úteis. Em seguida, a forma de análise dos dados também foi debatida e fechamos o processo de escrita.

DC: Quais foram as principais dificuldades no desenvolvimento e escrita da dissertação?

RC: Trabalhar com o documento audiovisual na Ciência da Informação é algo bastante complicado. Isso se deve a pouca produção na área sobre o tema, o que foi motivo de grande apreensão no início da pesquisa. Da mesma forma, apresentar os dados obtidos de uma forma interessante também foi um problema sério.

DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a dissertação? 

RC: 70% inspiração e 30% transpiração. Nunca tive problemas em escrever ou passar muito tempo fazendo isso, mas organizar ideias é sempre uma tarefa bem mais complexa. Revisar, ler e reler, verificar as inconsistências… Até hoje descubro algo que deixei passar no documento. Por isso é sempre doloroso reler qualquer coisa que eu produzo.

DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da dissertação?

RC: Durante a produção da dissertação, enfrentei a pandemia. Foi um período extremamente complexo cujos efeitos – na minha opinião – ainda não foram analisados como deveriam. A sensação de isolamento era brutal e tento não levar isso comigo desde então. Acho que devemos evitar essa coisa tão consagrada no imaginário acadêmico que é a do isolamento como ingrediente para o desenvolvimento de uma pesquisa. Não deveríamos sofrer para construir o conhecimento e esse sofrimento – que pode sim ocorrer – não deveria ser incentivado como sinto que é…

DC: Como foi o relacionamento com a família durante este tempo?

RC: Estou morando em outro estado desde 2015. A relação sempre foi boa e eles me incentivaram bastante. Em 2018, me casei e minha esposa foi uma fonte inesgotável de ânimo e perseverança. Enfrentamos a barra da pandemia e até hoje estamos aí, firmes e fortes.

DC: Agora que concluiu a dissertação, o que mais recomendaria a outros mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?

RC: Não tenha medo ou preocupação sobre a falta de produção do tema. Se torne a produção! Acredite no que pretende construir porque isso faz a diferença na hora de escrever

DC: Como você avalia a sua produção científica durante o mestrado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?

RC: Publiquei trabalhos relacionados diretamente à pesquisa em eventos, mas o que considero mais importante foi um artigo que tangencia o tema e dialoga com outra área (linguística). Foi feito em parceria com outros pesquisadores da CI, intitulado: “As folksonomias e a teoria dos protótipos: avaliação das plot Keywords de filmes slasher no IMDb”.

DC: Desde a conclusão da dissertação, o que tem feito e o que pretende fazer em termos profissionais?

RC: Atualmente estou cursando doutorado e sigo trabalhando em bibliotecas.

DC: Pretende fazer doutorado? Será na mesma área do mestrado?

RC: Sim. Estou na mesma temática, dessa vez partindo diretamente para a categorização de filmes.

DC: O que o Programa de Pós Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de mestrado?

RC: Difícil responder, pois fiz tudo no meio de uma pandemia. Senti falta da sala de aula, do contato mais direto com os colegas.

DC: Você por você:

RC: Alguém bem insistente. Acho que não estaria onde estou se não tivesse total consciência do que quero. Morar em outro estado, longe da família e de toda uma construção de vida foi desafiador, mas a insistência e um coração aberto me permitiram recomeçar. Sou desconfiado, mas sei exatamente onde estou pisando, então consigo entender que nem todas as coisas acontecem do jeito que queremos. Enfim, acho que é isso!


Entrevistado: Rafael do Carmo

Entrevista concedida em: 09 de abril de 2025 aos Editores.

Formato de entrevista: Escrita 

Redação da Apresentação: Herta Maria de Açucena do Nascimento Soeiro

Fotografia: Rafael do Carmo

Diagramação: Herta Maria de Açucena do Nascimento Soeiro

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