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v. 3, n. 05, maio 2025
Cinema e formação de consciência: a precarização do trabalho no capitalismo representado em filmes – Entrevista com Juliane Heusser

Cinema e formação de consciência: a precarização do trabalho no capitalismo representado em filmes – Entrevista com Juliane Heusser

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Cinema e formação de consciência: a precarização do trabalho no capitalismo representado em filmes – Entrevista com Juliane Heusser

Juliane Karolina Maia Heusser
juliane.karolinamh@gmail.com

Sobre a entrevistada

Em 2023, Juliane Karolina Maia Heusser defendeu sua dissertação de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina, sob a orientação da Profa. Dra. Daniella Camara Pizarro.

Juliane é natural de Curitiba, Paraná. É bibliotecária e atua no SENAI Joinville, em Santa Catarina. Em seu tempo livre, aprecia assistir séries e filmes, acampar, conversar com os seus avós, testar coisas novas, montar quebra-cabeças e visitar museus.

Sua dissertação, intitulada “Análise Fílmica como instrumento para formação de consciência: a precarização do trabalho no capitalismo representado na fonte informacional fílmica”, explora como o cinema, além do entretenimento, serve como ferramenta de comunicação e formação de opinião. A pesquisa analisa três filmes específicos que abordam a precarização do trabalho, utilizando uma metodologia de análise fílmica, sendo o objetivo mostrar como esses filmes podem ajudar a desenvolver uma consciência crítica sobre as realidades do trabalho no contexto do capitalismo. Os resultados da pesquisa sugerem que a análise de filmes pode ser um recurso valioso para educar e sensibilizar as pessoas.

Nesta entrevista, Juliane compartilha sua trajetória acadêmica durante o mestrado.

Divulga-CI: O que te levou a fazer o mestrado e o que te inspirou na escolha do tema da dissertação?

Juliane Heusser (JH): Decidi fazer o mestrado porque sempre quis me aprofundar em áreas que agregassem mais ao meu trabalho como bibliotecária e me dessem novas perspectivas sobre a Biblioteconomia e a Gestão da Informação. O mestrado da UDESC, principalmente o profissional, foi a chance perfeita para conectar a teoria com a prática e explorar novos horizontes na área. No TCC, explorei a ideia de usar filmes como fonte de informação e consegui aplicar isso em algumas experiências profissionais. Então, com base nesse caminho, a escolha do tema da dissertação acabou sendo bem natural. O tema mudou bastante desde o início do processo seletivo até o produto final, mas o foco sempre foi na fonte fílmica e na pesquisa sobre informação e desinformação.

DC: Quem será o principal beneficiado dos resultados alçados?

JH: A pesquisa vai beneficiar principalmente os profissionais de biblioteconomia e gestão de unidades de informação, mas também pode ser interessante para o público em geral, especialmente para quem quer entender melhor os filmes e as relações entre trabalho e capitalismo. Para os profissionais, acredito que a dissertação pode ajudar a repensar como usamos diferentes fontes de informação, como os filmes, para provocar uma reflexão crítica sobre questões sociais e econômicas, como a precarização do trabalho. Isso pode ser útil para criar projetos ou atividades que estimulem uma consciência mais crítica entre os usuários das bibliotecas.

DC: Quais as principais contribuições que destacaria em sua dissertação para a ciência e a tecnologia e para a sociedade? 

JH: Vejo duas principais contribuições. A primeira é o estímulo para unir o pensamento crítico ao dia-a-dia da nossa atuação. Já a segunda é a contribuição para ampliar a forma como entendemos o papel das fontes informacionais, principalmente os filmes, no processo de formação de uma consciência crítica. 

DC: Seu trabalho está inserido em que linha de pesquisa do Programa de Pós Graduação? Por quê?

JH: Meu trabalho está inserido na linha 2 “Informação, Memória e Sociedade”, porque ele trata diretamente de como a informação, através de diferentes fontes como o cinema, pode influenciar a formação da memória social e a consciência crítica da sociedade. 

DC: Citaria algum trabalho ou ação decisiva para sua dissertação? Quem é o autor desse trabalho, ou ação, e onde ele foi desenvolvido?

JH: Cito dois pesquisadores e seus trabalhos, pois foram meus norteadores para o diagnóstico da análise fílmica na temática do “sofrimento no mundo do trabalho no capitalismo”. O primeiro é o pesquisador e sociólogo Richard Sennett (2004, 2006, 2012, 2015), onde, analisando as consonâncias das suas publicações, conseguimos identificar 6 aspectos fundamentais que seriam utilizados na análise dos filmes. A segunda é a pesquisadora e psicóloga Dominique Lhuilier (2009), que em sua pesquisa explora três tipologias para descrever os  sofrimentos e “formas contemporâneas de psicopatologia do trabalho”. Estas três tipologias foram utilizadas para completar a análise dos filmes.

DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?

JH: Ao iniciar o programa, eu trouxe comigo a vontade de continuar minha pesquisa das fontes informacionais fílmicas e de fazer o uso da metodologia moldada no TCC, desta vez, olhando para a questão da desinformação e informação. Ao longo da pesquisa fomos moldando a temática selecionada onde, desta vez, foram aplicadas às questões sociais e do trabalho. O próximo passo foi selecionar critérios para a seleção dos filmes que seriam analisados e quais aspectos seriam utilizados na pesquisa. A partir daí foi mão na massa na produção.

DC: Quais foram as principais dificuldades no desenvolvimento e escrita da dissertação?

JH: Creio que tive duas principais dificuldades no desenvolvimento e escrita da dissertação. A primeira, foi na questão de alinhamento de pensamentos e expectativas junto a orientação, e a segunda, foi em ser preciso realizar o trancamento da minha pesquisa por um semestre, em decorrência de um problema de saúde que precisava ser tratado e não era possível conciliar trabalho x pesquisa x saúde naquele momento.  

DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a dissertação? 

JH:  Na questão da temática, a parte de uso da fonte informacional fílmica, informação e desinformação, já era algo que estava na minha mira a algum tempo, então foi mais fácil “inspirar” nestes momentos. Quando decidimos aplicar elas na temática de mundo do trabalho, aí foi preciso transpirar um pouco. Na questão da produção em si da dissertação, sempre tive facilidade em escrever sozinha e com isso foi possível estabelecer prazos bem condizentes ao meu estilo de pesquisa e escrita, alinhados ao esperado pelo programa e pelas datas, mas quando foi preciso trancar o semestre, me vi tendo que transpirar mais para atingir os prazos e datas. Entendo, então, que de maneira geral, tudo foi 50% de inspiração e 50% de transpiração.

DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da dissertação?

JH: Considero que dois pontos foram fundamentais para que eu pudesse concluir a minha dissertação: o meu próprio preparo e o apoio de colegas que passaram ou estavam passando pelo mesmo processo acadêmico.

DC: Como foi o relacionamento com a família durante este tempo?

JH: Como minha pesquisa foi iniciada durante a pandemia, toda a parte de aulas e orientações foram feitas a distância, por isso foi fundamental conversar com a família para que eu pudesse ter um ambiente mais calmo quando estava tendo as aulas online. Meus familiares sempre foram meus maiores apoiadores em relação a minha vida acadêmica, então tive muita sorte de poder contar com eles novamente durante todo o meu mestrado. 

DC: Agora que concluiu a dissertação, o que mais recomendaria a outros mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?

JH: Recomendaria e recomendo que, sempre que possível, unam a temática de pesquisa com temas que realmente despertem o seu interesse e paixão, além de selecionar pontos que sejam ótimos para gerar reflexões e contribuam de maneira teórica e prática.

DC: Como você avalia a sua produção científica durante o mestrado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?

JH: Gostaria de ter sido mais produtiva durante o mestrado. Os principais pontos que me dificultaram a produção científica para além da própria pesquisa, foram a saúde e o trabalho. Ainda não publiquei nada da minha pesquisa, mas espero publicar mais daqui em diante.

DC: Desde a conclusão da dissertação, o que tem feito e o que pretende fazer em termos profissionais?

JH: Continuo trabalhando como bibliotecária e espero atuar na área por um tempo. Atualmente estou atuando como bibliotecária no SENAI, onde sou responsável pelas três unidades SENAI da Regional Norte-Nordeste. Também tenho interesse em atuação acadêmica. 

DC: Pretende fazer doutorado? Será na mesma área do mestrado?

JH: Pretendo seguir para o doutorado. Estou fazendo a seleção e acompanhando os editais e gostaria que seja na mesma área do mestrado.

DC: O que faria diferente se tivesse a chance de ter começado sabendo o que sabe agora?

JH: Não me angustiaria tanto com alguns pontos orientadores da pesquisa, entenderia que tudo tem seu tempo e no final a pesquisa sai e tem sua contribuição para o campo de pesquisa. Também não me frustraria tanto com a possibilidade de ter um trancamento de pesquisa, pois saúde em primeiro lugar e tudo faz parte da caminhada.

DC: O que o Programa de Pós Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de mestrado?

JH: O Programa me possibilitou a realização do curso durante a pandemia, de forma a distância. Isso foi fundamental para que eu não parasse meus estudos, e ao mesmo tempo, recebesse boas aulas e materiais. Para o Programa, me dediquei com grande esforço para obter os ensinamentos que me foram ofertados, além de contribuir com uma pesquisa bem alinhada à linha de pesquisa proposta, explorando uma fonte informacional bem interessante para nossa área. 

DC: Você por você:

JH: Sou uma pessoa naturalmente curiosa e se pudesse viveria estudando sobre tudo. Acredito que o melhor investimento que podemos fazer na vida, é em nós mesmos. Entusiasta dos clichês, busco sempre me cercar de amigos e de boas energias.


Entrevistada: Juliane K. M. Heusser

Entrevista concedida em: 30 de março de 2025 aos Editores.

Formato de entrevista: Escrita 

Redação da Apresentação: Larissa Alves

Fotografia: Juliane K. M. Heusser

Diagramação: Larissa Alves

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