• contato@labci.online
  • revista.divulgaci@gmail.com
  • Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho - RO
v. 4, n. 09, set. 2026
Entre caminhos, fronteiras e aprendizagens: a construção de um percurso profissional na Ciência da Informação, por Angerlânia Rezende

Entre caminhos, fronteiras e aprendizagens: a construção de um percurso profissional na Ciência da Informação, por Angerlânia Rezende

Entre caminhos, fronteiras e aprendizagens: a construção de um percurso profissional na Ciência da Informação

Angerlânia Rezende
angerlania.rezende@unir.br

Antes mesmo de assumir a docência como profissão, minha trajetória foi marcada pela busca constante por novos conhecimentos e pela convicção de que a educação transforma não apenas aqueles que aprendem, mas também aqueles que ensinam. Cada escolha realizada ao longo desse percurso representou um deslocamento, não somente geográfico, mas também intelectual, profissional e humano. É nessa perspectiva que compreendo minha caminhada: como um percurso em permanente construção, atravessado por desafios, descobertas e pela certeza de que ensinar é, antes de tudo, um compromisso ético, social e político.

Minha trajetória na academia teve início no curso de Secretariado Executivo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde estabeleci meu primeiro contato com a universidade pública e com o ambiente científico. Posteriormente, ingressei no Mestrado em Ciência da Informação (CI), também na UFPE, momento em que passei a conhecer um universo completamente novo, pelo qual fui, gradativamente, me envolvendo e me apaixonando.

Ao concluir o mestrado, decidi vivenciar a experiência da docência como professora substituta. O principal desafio, naquele momento, era o fato de minha formação inicial não ser em Biblioteconomia, requisito exigido pela maioria dos editais da área. Entretanto, encontrei uma oportunidade em um edital que exigia somente o título de mestre em CI. Não pensei duas vezes, pedi demissão do emprego de Secretária Executiva que ocupava e segui para Rondônia, onde atuei como professora substituta durante dois anos na Universidade Federal de Rondônia.

Essa mudança foi acompanhada por inúmeros questionamentos de pessoas ao meu redor, sobretudo em relação à distância entre Pernambuco e Rondônia, como se esses aspectos fossem obstáculos intransponíveis para a construção de uma trajetória profissional. No entanto, compreendi que o Brasil, por sua dimensão territorial e diversidade regional, oferece oportunidades que muitas vezes exigem coragem para atravessar essas fronteiras. Mais do que deslocamentos físicos, essas experiências representam deslocamentos epistemológicos. Aprendi, nesse processo, que a distância nem sempre é medida pelos quilômetros percorridos; muitas vezes, podemos estar próximos fisicamente e, ainda assim, distantes em experiências, perspectivas e formas de viver.

Arguição em uma banca de trabalho de curso  na Universidade Federal de Rondônia (2019)

Foi justamente nesse período que decidi cursar a graduação em Biblioteconomia. A escolha nasceu do encantamento pelo campo da CI e do desejo de construir uma trajetória sólida na área. Após o término do contrato como professora substituta, retornei a Pernambuco no início da pandemia da COVID-19. Assim como milhões de pessoas, vivi um período marcado por incertezas, medos e transformações. Em meio a esse cenário, participei do processo seletivo para o Doutorado em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sendo aprovada.

Concluí o doutorado no início de 2026 e, poucos meses depois, em julho de 2026, tomei posse como professora da UNIR, retornando ao estado que, anos antes, havia me acolhido em minha primeira experiência docente.

Dia da Posse como Professora do Magistério Superior na Universidade Federal de Rondônia

Ao iniciar esse novo ciclo, minhas maiores expectativas estão centradas no aprendizado. Mais do que ocupar um cargo ou receber um título, desejo aprender, todos os dias, a ser professora. Quero construir uma prática docente comprometida com a formação humana, sendo presente, sensível, ética e firme quando necessário. Como afirma Paulo Freire (1996), ensinar não é somente transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção e construção. Se, na teoria, esse princípio inspira e orienta, na realidade ele exige coragem, sensibilidade e um posicionamento firme para enfrentar os inúmeros desafios de fazer educação no Brasil, especialmente em um contexto de constantes transformações e limitações institucionais. Contudo, acredito que é justamente nesses cenários que a universidade pública reafirma sua importância como espaço de resistência, de produção científica e de transformação social. É com esse compromisso que pretendo desenvolver minhas atividades na universidade, articulando ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável, contribuindo para o fortalecimento da Ciência da Informação e da Biblioteconomia da UNIR. 

Atualmente, meus interesses de pesquisas concentram-se na interface entre Informação Indígena e Ciência da Informação, especialmente na circulação do conhecimento, nas fontes e nos produtos informacionais relacionados aos saberes ancestrais dos povos indígenas. Interesso-me ainda pelas discussões sobre Competência Crítica em Informação, colonialidade, decolonialidade e contracolonialidade, buscando compreender como diferentes formas de produção, organização e circulação do conhecimento podem contribuir para o reconhecimento de epistemologias historicamente invisibilizadas. Além disso, tenho interesse também em pesquisas voltadas à perspectiva social da Ciência da Informação, especialmente aquelas comprometidas com a transformação social de contextos historicamente marginalizados, por meio da democratização do acesso à informação, da valorização da diversidade de saberes e do fortalecimento da cidadania. Nessa perspectiva, compartilho da compreensão de que a produção científica deve dialogar com a diversidade de saberes e promover a valorização de outras racionalidades, reconhecendo que a construção do conhecimento implica questionar estruturas de poder, ampliar vozes historicamente silenciadas e fortalecer práticas comprometidas com a justiça cognitiva e social.

Sobre a autora

Angerlânia Rezende

Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba. Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Pernambuco. Bacharela em Secretariado Executivo pela Universidade Federal de Pernambuco. Bacharela em Biblioteconomia pelo Centro Universitário Claretiano. Professora do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Rondônia. Integrante do Observinter – Observatório de Estudos Interdisciplinares de Informação da Universidade Federal de Alagoas. Integra a Comissão Editorial da Revista Bibliotecas Universitárias da Universidade Federal de Minas Gerais.


Redação: Angerlânia Rezende
Fotografia: Angerlânia Rezende e Pedro Andretta
Diagramação: Marcos Leandro Freitas Hübner

0

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »