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v. 4, n. 07, jul. 2026
Entre bibliotecas, informação e inteligência artificial: minha trajetória na organização da informação e do conhecimento, por Cibele Santos

Entre bibliotecas, informação e inteligência artificial: minha trajetória na organização da informação e do conhecimento, por Cibele Santos

Entre bibliotecas, informação e inteligência artificial: minha trajetória na organização da informação e do conhecimento

Cibele Araújo Camargo Marques dos Santos
cibeleac@usp.br

Ao longo da vida, tenho me dedicado a compreender como a informação pode ser organizada para facilitar sua recuperação e uso. Esse interesse me levou a estudar temas relacionados à organização da informação em diferentes contextos, especialmente na informação científica em saúde, mas também em iniciativas voltadas às artes e à arquitetura. Mais recentemente, passei a investigar as contribuições e os desafios da inteligência artificial para essas atividades.

Sou bibliotecária de formação e professora do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade de São Paulo (USP). Minha atuação profissional teve início em bibliotecas e instituições especializadas, onde trabalhei por mais de vinte anos. Essa experiência me aproximou da informação científica em saúde, dos processos de indexação e da organização da informação, temas que continuam presentes em minhas atividades de ensino e pesquisa. O contato com essas atividades e os desafios encontrados no cotidiano profissional despertaram meu interesse pela pesquisa dos processos de indexação, da organização da informação científica e dos vocabulários controlados, questões que mais tarde seriam aprofundadas em meus estudos. A experiência profissional mostrou que o acesso ao conhecimento depende das formas que utilizamos para representar, organizar e recuperar a informação.

Essas questões ganharam ainda mais força quando passei a participar da elaboração e gestão do Vocabulário Controlado da USP. Trabalhar com a organização de conceitos e termos utilizados para representar o conhecimento produzido na universidade despertou um interesse crescente pelas linguagens documentárias, hoje compreendidas como parte dos sistemas de organização do conhecimento. A participação nessas atividades foi decisiva para minha formação na pós-graduação e para a consolidação dos temas que venho pesquisando desde então.

Durante esse período, surgiu a oportunidade de atuar como docente, experiência que ampliou meu interesse pela formação de bibliotecários, tema que passou a acompanhar minha atuação no ensino, pesquisa e extensão.

Atualmente, minhas pesquisas concentram-se em temas relacionados à indexação, às linguagens documentárias e à informação científica em saúde. Também tenho investigado as contribuições e os desafios da inteligência artificial para as atividades de organização da informação, buscando compreender como essas tecnologias podem apoiar processos tradicionalmente desenvolvidos pelos bibliotecários. Paralelamente, mantenho interesse por questões relacionadas ao ensino da indexação, à formação de indexadores e à preparação de novos profissionais para atuar em um cenário cada vez mais marcado pela transformação digital.

Uma das áreas que continua ocupando espaço central é a informação científica em saúde. Mantenho uma relação próxima com iniciativas voltadas à organização da literatura científica da área, incluindo a participação na Rede de Indexadores da Metodologia LILACS. Nesse contexto, tenho contribuído para discussões relacionadas ao aperfeiçoamento da metodologia e para o desenvolvimento de ações de capacitação e formação de indexadores que atuam em instituições da América Latina e do Caribe.

Outro domínio que integra minhas pesquisas é o das artes e da arquitetura, especialmente por meio da participação no Projeto Arquigrafia, ambiente colaborativo voltado à organização, preservação e compartilhamento de imagens de arquitetura brasileira. Assim como na informação científica em saúde, os desafios envolvem representar conteúdos complexos e favorecer o acesso ao conhecimento por meio do controle de vocabulário.

Um tema que passou a fazer parte das minhas investigações foi a inteligência artificial por meio de ferramentas capazes de gerar textos, identificar conceitos e processar grandes volumes de informação, que têm provocado mudanças significativas na forma de organizar o conhecimento. Na Ciência da Informação, essas tecnologias despertam interesse crescente por seu potencial de apoiar atividades relacionadas à indexação, à organização da informação e ao desenvolvimento de vocabulários controlados.

Interessa-me compreender como essas ferramentas podem apoiar o trabalho humano sem substituir a reflexão crítica necessária para representar adequadamente o conhecimento. Afinal, organizar informação não é apenas uma tarefa técnica. É uma atividade que envolve contexto, interpretação, linguagem e compreensão das necessidades dos usuários.

Como professora, procuro levar essas discussões para a sala de aula, mostrando aos estudantes que as transformações tecnológicas não diminuem a importância dos bibliotecários. Em uma sociedade marcada pelo excesso de dados, pela desinformação e pelo crescimento acelerado da inteligência artificial, torna-se cada vez mais importante formar profissionais capazes de avaliar, organizar e mediar o acesso ao conhecimento.

Quando olho para minha trajetória, vejo mudanças profundas. As bibliotecas tornaram-se cada vez mais digitais, novas tecnologias surgiram e a inteligência artificial passou a fazer parte do nosso cotidiano. No entanto, a questão que orienta meu trabalho continua sendo a mesma: como organizar a informação para que ela possa ser encontrada, compreendida e utilizada pelas pessoas? É essa questão que continua movendo minhas atividades como bibliotecária, professora do ensino superior e pesquisadora.

Sobre a autora

Cibele Araújo Camargo Marques dos Santos

Professora do Departamento de Informação e Cultura e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa RITe – Representações: Imaginário e Tecnologia da Universidade de São Paulo e do Grupo de Pesquisa Organização e Representação do Conhecimento da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo. Mestra em Comunicação pela Universidade de São Paulo. Bacharela em Biblioteconomia pela Universidade de São Paulo.


Redação: Cibele Araújo Camargo Marques dos Santos
Fotografia: Cibele Araújo Camargo Marques dos Santos
Diagramação: Naiara Raíssa da Silva Passos

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