• contato@labci.online
  • revista.divulgaci@gmail.com
  • Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho - RO
v. 4, n. 05, maio 2026
Competência em informação e inclusão – Entrevista com Márcio dos Santos

Competência em informação e inclusão – Entrevista com Márcio dos Santos

Competência em informação e inclusão – Entrevista com Márcio dos Santos

Márcio Adriano Costa dos Santos
mestre_ci@hotmail.com

Sobre o entrevistado

Em 2023, Márcio Adriano Costa dos Santos defendeu sua dissertação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Alagoas, sob orientação da Profa. Dra. Guilhermina de Melo Terra e da Profa. Dra. Rosilene Agapito da Silva Llarena.

Natural de Roteiro (AL), Marcio Adriano atua como bibliotecário escolar, é fundador e gestor da “Rede Alagoana de Biblioteca, Livro, Leitura e Literatura” e atua também como consultor e projetos de informação e conhecimento. Entre seus hobbies está ir para o sítio. Sua dissertação, intitulada “Competência em informação e inclusão digital: um estudo nas bases de dados BRAPCI, Scopus e SciELO”, analisa as relações teóricas e empíricas entre competência em informação, competência informacional, competência crítica em informação e inclusão digital. O estudo destaca que os atuais desafios da Competência em Informação estão relacionados aos processos de exclusão digital sistêmica. A pesquisa defende que a inclusão digital não deve ser compreendida apenas como acesso ou uso de computadores, mas como um processo de desenvolvimento social-informacional, capaz de ampliar a criticidade dos sujeitos sobre sua realidade e contribuir para a transformação social e digital.

Divulga-CI (DC): O que te levou a fazer o mestrado e o que te inspirou na escolha do tema da dissertação?

Márcio Adriano (MA): O principal motivo para fazer o mestrado foi o desejo de me aprofundar sobre o meu objeto de pesquisa na graduação. 

A inspiração pelo tema surgiu após dois anos de formado, mais precisamente por ler os artigos sobre CoInfo, quando atuei como estagiário de 2006-2010 e, depois como bibliotecário de 2011-2013, na Biblioteca Pública Graciliano Ramos. Logo, percebi que deveria continuar a investigar não só mais a inclusão digital para além do acesso à informática básica, como era vista. 

DC: Quem será o principal beneficiado pelos resultados alçados?

MA: Devido à natureza social do estudo, presumo que os indivíduos mais favorecidos sejam aqueles envolvidos em programas/projetos de inclusão digital no Brasil. Conforme os resultados indicam, sem competência em informação (CoInfo), não existe inclusão social, nem inclusão digital.

DC: Quais as principais contribuições que destacaria em sua dissertação para a ciência e a tecnologia e para a sociedade?

MA: A minha dissertação chama, sobretudo, três contribuições centrais: No campo da ciência, demonstra que há uma lacuna de estudos científicos com viés social da informação nos ambientes digitais no Brasil, desenvolvidos pela Ciência da Informação (CI). No campo da tecnologia, confirma que, a inclusão digital não pode ser reduzida às instalações de computadores e/ou simples acesso à internet, caracterizando-se como um curso de informática, espaço de jogos eletrônicos e/ou de videogames. 

No campo da sociedade, destaca a relevância de investimentos em: bibliotecas, arquivos, museus e centros culturais, que, precisam envolver: (a) desenvolvimento crítico sobre a informação dentro e fora do espaço digital, (b) formação cidadã (o povo sabe e entende os seus direitos e (c) CoInfo enquanto programa de governo, visando o uso consciente da informação/conhecimento no formação de papel e digital. Portanto, a minha dissertação afirma que, esses espaços são fundamentais para desenvolver e promover inclusão digital de forma crítica e emancipadora, pois apresenta elementos que promovem a competência em informação e inclusão digital no presente século. 

DC: Seu trabalho está inserido em que linha de pesquisa do Programa de Pós Graduação? Por quê?

MA: Minha dissertação está na linha de pesquisa Produção, Mediação e Gestão da informação, porque é nela que são pesquisados, investigados e estudados os objetos com maior coerência teórico-metodológica. E, como a pesquisa analisa a relação teórica e empírica entre os termos competência em informação e inclusão digital; competência informacional e inclusão digital e competência crítica em informação e inclusão digital. Ela, portanto, é totalmente coerente com os objetos que a linha desenvolve no referido programa.

DC: Citaria algum trabalho ou ação decisiva para sua dissertação? Quem é o autor desse trabalho, ou ação, e onde ele foi desenvolvido?

MA: Utilizei um conjunto de autores e autoras para a construção da fundamentação teórica da dissertação, começando pelos aspectos conceituais, históricos e avanços da CoInfo, como (Belluzzo, 2020; Campelo, 2009; Belluzzo; Feres, 2013), ao afirmarem que foi a partir da década de 1980, principalmente, da publicação do Relatório do Comitê Presidencial sobre alfabetização em informação: Relatório Final, que, estabelece a função social da CoInfo e sua relação com os cidadãos. Assim, para Belluzzo; Feres (2013), dos anos 2011 até os dias atuais, a CoInfo está sendo discutida sobre outros olhares científicos, tais como: CoInfo para a conquista da cidadania/direitos sociais; CoInfo para o crescimento econômico/criação de serviços de informação de empresas; e CoInfo para empregabilidade/focada na educação continuada, visando alçar novos conhecimentos, habilidades e competências. Além de outras perspectivas, como as dimensões técnica, estética, política e ética desenvolvida, Vitorino e Piantola (2011) confirmam a evolução teórica da CoInfo no contexto brasileiro nos últimos anos. 

Da mesma forma, as reflexões sobre o processo de inclusão digital e sua relação com as pessoas foram analisadas cientificamente com Santos e Hetkowski (2018), que, apresentam as políticas públicas de inclusão digital como sendo uma ação de democratização de acesso às tecnologias de informação e comunicação. E, Corrêa (2007), que analisa a inclusão digital a partir de duas ostentações: primeira ênfase nas pessoas que têm acesso físico à rede, e os que não têm acesso. A segunda ênfase é na importância que este acesso passa a ter para as questões sociais, dentro do contexto de uma sociedade movida pela tecnologia. E, como frequentemente, as perspectivas institucionais, representadas por programas e projetos governamentais, não se alinham com a visão dos pesquisadores da informação, dos cientistas sociais e dos bibliotecários orgânicos, estes últimos sendo profissionais da informação que reconhecem sua responsabilidade social para com os indivíduos que acessam e utilizam a informação por meio da internet em sua rotina diária.

Portanto, a pesquisa teve seu conjunto teórico fundamentado na Ciência da informação, como Araújo (2014), que reflete sobre os impactos dos fenômenos infocomunicacionais da sociedade e, da Sociologia, a partir de Silveira (2004), Prado (2008), García, Sebastián e López (2008) e Santos (2023), que me permite perceber que os espaços de inclusão digital constituem-se como ferramenta de redução da violência e pobreza em localidades esquecidas pelo poder público de caráter neoliberal sistêmico (de concepção excludente). Por isso, os ambientes públicos (bibliotecas públicas), sobretudo, não podem e não devem ser fechados, pois eles podem transformar vidas e formar cidadãos críticos.   

DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?

MA: A metodologia da pesquisa seguiu um processo. Assim, em primeiro lugar, fundamentei a metodologia, a fim de deixar claro que a ciência é uma construção social e que sua relação com a sociedade não é neutra, na medida em que ela busca solucionar de forma sistemática os problemas gerados ou não pelos atores humanos e não humanos. 

Em segundo lugar, foi desenvolvida a caracterização da pesquisa, processo que envolveu toda descrição da metodologia, ou seja, foi onde se definiu: a abordagem da pesquisa (quali-quantitativa), a natureza da pesquisa (tipo básica), os objetivos conceituais (de caráter exploratório), a natureza das fontes (bibliográfica e documental), o universo e amostra da pesquisa (a técnica e análise de interpretação dos dados coletados). Para este processo utilizei a Análise de Conteúdo de Bardin (2011), que me permitiu adotar os critérios de inclusão e exclusão dos artigos de periódicos analisados. 

Em terceiro lugar, construí a técnica e instrumentos de coleta de dados

A técnica utilizada para coletar os dados, foi a partir dos operadores booleanos AND e/ou OR nos três termos: “competência em informação” AND “inclusão digital” OR “competência informacional” OR “inclusão digital” e “competência crítica em informação” AND “inclusão digital”.  

Em quarto lugar, apresento e descrevo todos os instrumentos de coleta de dados como: a Base de Dados Referência de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), a  SciVerse Scopus, conhecida apenas como Scopus no meio científico já a Electronic library Online, é conhecida no mundo acadêmico como SciELO. 

DC: Quais foram as principais dificuldades no desenvolvimento e escrita da dissertação?

MA: Foram muitas dificuldades durante a escrita da minha dissertação. A primeira delas foi à pandemia da Covid-19, que não permitiu assistir aula presencial, fazendo com que não pudesse ir à biblioteca estudar, pesquisar e escrever a pesquisa, tendo como resultado o isolamento social dos professores e alunos. A segunda dificuldade foi não ter tido condições materiais (infraestrutura adequada em casa para me concentrar e desenvolver a escrita do trabalho, como requer uma dissertação de mestrado). 

Portanto, posso afirmar que a maior dificuldade foi conciliar à assistência ao pai nas idas e voltas das sessões de hemodiálise (quando meu irmão não podia) e dar atenção aos meus filhos em idade escolar, como também nos plantões pedagógicos nas duas escolas. 

DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a dissertação?

MA: Em termos percentuais, a dissertação tem 10% de inspiração e 90% de transpiração, este, enquanto força, foco e fé, foram cruciais na caminhada pela conclusão do trabalho, na medida em que tive que mudar de orientadora por motivo de saúde, bem como readequar a pesquisa à nova orientadora, que, na ocasião, agiu de forma ética, pois a pesquisa estava prestes a ser qualificada e não podíamos perder o prazo. Já, enquanto inspiração, as ideias sempre vinham pela madrugada, pois era das 03 às 08 da manhã para desenvolver a escrita do meu trabalho com calma e sem barulho dos meus filhos, apesar de que nas aulas remotas as minhas filhas assistiam às aulas comigo, pois não tinha com quem deixá-las. Isso ocorreu durante o segundo semestre do primeiro ano do curso de mestrado.   

DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da dissertação?

Sim, tenho diversas considerações a fazer. Os Programas de Pós-Graduação, por meio de seus coordenadores e coordenadoras, precisam compreender que a realidade dos alunos bolsistas não é a mesma dos alunos não bolsistas em termos de condições materiais. Apesar das limitações socioeconômicas, os bolsistas estão entre os que mais se dedicam à participação acadêmica e à produção científica nos cursos de mestrado. Isso não ocorre apenas porque recebem bolsa e, portanto, devem produzir com qualidade, mas porque reconhecem a importância cultural, social, informacional, econômica e científica da conclusão da dissertação, bem como a relevância do título de mestre na sociedade atual. 

DC: Como foi o relacionamento com a família durante o mestrado?

MA: Como não há outra pessoa com mestrado na família além de mim. Eles não têm a dimensão social e cultural que é ter título de mestre. Assim sendo, tive muitos problemas de compreensão da minha família, em especial, por parte da minha esposa que se recusava a me apoiar do início ao término do mestrado. No entanto, minha mãe, meus filhos e minhas orientadoras foram quem mais me apoiaram. E, com muito orgulho do pai, meu filho (Miquéias) me chama carinhosamente de mestre Márcio. Portanto, os meus filhos e meus pais foram o meu norte durante esse processo, que, muitas das vezes, não me deixaram desistir, mesmo diante da depressão de minha esposa que me afetou diretamente, pois eu estava em pleno desenvolvimento de análise e interpretação dos dados coletados da dissertação, portanto, na fase mais relevante do trabalho. 

DC: Agora que concluiu a dissertação, o que mais recomendaria a outros mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?

MA: Agora que terminei a dissertação de mestrado, minha principal recomendação para outros mestrandos é que eles possam ter acesso ao meu trabalho como fonte de informação para suas pesquisas e possam, ainda, pesquisar sobre a temática sob seus olhares e objetos de pesquisa. 

Portanto, recomendo que essa temática possa ser estudada sobre o prisma das quatro dimensões da CoInfo e das Humanidades Digitais. 

DC: Como você avalia a sua produção científica durante o mestrado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?

MA: Avalia minha dissertação como uma excelente produção científica, na medida em que o trabalho foi bem desenvolvido desde o pré-projeto passando pela construção da pesquisa propriamente dita, tendo como resultados diversos extratos científicos: artigos, capítulos de livros e anais de eventos nacionais, internacionais e prêmio de excelência acadêmica. Logo, o artigo publicado como extrato científico que recebeu o prêmio está intitulado “Relações e aproximações entre competência em informação e inclusão digital: cenários e tendências” publicado pela revista Logeion.

DC: Desde a conclusão da dissertação, o que tem feito e o que pretende fazer em termos profissionais?

MA: Desde o término da dissertação, sigo minha atuação profissional como bibliotecário orgânico. Continuo atuando em biblioteca escolar, como contribuindo com a categoria no sindicato dos bibliotecários de Alagoas. Em termos profissionais, estou atuando como projetista de projetos de impacto social (educacional/bibliotecas e cultural/letramento informacional e racial).  

DC: Pretende fazer doutorado? Será na mesma área do mestrado?

MA: Sim, mas estou avaliando tudo com calma, pois a pesquisa de doutorado requer outra dinâmica, envolve um bom pré-projeto de pesquisa, que realmente traga relevância para o campo da CI, no Brasil, como também para a sociedade, em especial, para os mais pobres desse país. Por isso, o ingresso no doutorado vai depender de uma autoavaliação e uma autocrítica, na medida em que não estou disposto a passar pelos mesmos problemas ou talvez outros maiores, uma vez que a pesquisa de doutorado tem 4 anos de dedicação exclusiva.  Logo, trata-se de uma decisão mais coletiva do que individual e, portanto, tem que ser feita racional e não emocionalmente. 

DC: O que faria diferente se tivesse a chance de ter começado sabendo o que sabe agora?

MA: Se eu pudesse recomeçar tudo de novo, sabendo de como é o processo, começaria em primeiro lugar, escolhendo e organizando o meu local de estudo e pesquisa em casa. Em segundo lugar, definiria dias e horários da semana para desenvolver o trabalho sem atrapalhar outras atividades do dia a dia. Portanto, em terceiro lugar, ouviria e consumiria mais arte/música de qualidade, visando equilibrar a saúde mental durante esse processo. 

DC: O que o Programa de Pós-Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de mestrado?

MA: Acredito que o Programa de Pós-Graduação me fez um pesquisador em desenvolvimento, como também abriu portas no campo científico a partir das relações institucionais e parcerias acadêmicas. Além disso, me qualifiquei no campo da pesquisa ao nível de mestrado, bem como no aprofundamento científico sobre a minha temática de investigação até a construção, qualificação e defesa da dissertação. 

Já quanto à minha contribuição para o referido Programa, acredito que foi de grande importância e relevância, não só por cumprir todas as disciplinas de forma ativa e participativa, mas porque fui muito produtivo cientificamente para o Programa e para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que juntos usufruem de toda minha produção científica com toda garantia institucional fixada em Portaria da CAPES e Regimento do Programa de Pós-Graduação. Portanto, todos saímos com o dever cumprido desse processo árduo, mas muito valioso para mim, enquanto sujeito preto, pobre e periférico,  sabendo qual é o seu lugar na sociedade de classes. 

DC: Você por você: 

MA: Sou um profissional bibliotecário orgânico de consciência social, ética, moral, política e filosofia crítica. Aos quatro anos vim para Maceió, morar no bairro do Feitosa, visando melhores condições de vida, que, por sua vez, não se concretizaram devido ao nível de escolaridade dos meus pais e origem socioeconômica baixíssima. Aos 7 anos mudamos para morar no bairro do Trapiche da Barra, a fim de conquistar uma casa própria, que, na ocasião, poderia ofertar a pesca do sururu como alimento de sobrevivência e resistência social, à medida que a localidade sempre concentrou foco de luta e resiliência dos povos das lagoas, contra a perspectiva higienista que há sob esse espaço. 

Desde os 15 anos trabalho a busca pela informação e conhecimento como ferramenta de luta, resistência e consciência social das minorias, nas feiras de ciências da escola, me destacando nas gincanas de conhecimentos gerais promovidos pelas organizações sociais do bairro. 

Ao entrar na Universidade Federal de Alagoas em 2006, passando em primeiro lugar na conta para estudantes de escolas públicas. Começo a cursar Biblioteconomia no formato presencial por oito períodos. Nestes quatro anos de graduação tive a oportunidade de participar e apresentar trabalhos em congressos acadêmicos em vários estados, de projetos de pesquisas de extensão. 

Fui, ainda, presidente do Centro acadêmico do curso de Biblioteconomia em 2007, representante discente no Colegiado, bolsista na Biblioteca Central – desenvolvendo minhas habilidades informacionais no acervo geral por três anos. Participei ativamente do movimento estudantil e organizando ações e atividades culturais no campus da UFAL. De 2006 a 2010, atuei na Biblioteca Pública Graciliano Ramos, como assessor técnico de projetos culturais, auxiliando também o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Alagoas. Portanto, de 2011 a 2013, já como bibliotecário, atuei no projeto de modernização desta biblioteca, na elaboração de projetos de inclusão digital dos funcionários e dos usuários desse espaço em Maceió. 

Por fim, sempre desenvolvi projetos culturais no âmbito da mediação da informação e do conhecimento, tendo a tecnologia como ferramenta de inclusão social e digital no estado, a partir da perspectiva da Biblioteconomia Social, pois não há crescimento econômico sem envolvimento social. 


Entrevistado: Márcio Adriano Costa dos Santos
Entrevista concedida em:  16 de de fevereiro de 2026
Formato de entrevista: Escrita
Redação da Apresentação: Iasmim Farias Campos Lima
Fotografia: Márcio Adriano Costa dos Santos
Diagramação: Iasmim Farias Campos Lima

0

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »