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v. 4, n. 04, abr. 2026
Biblio Indexa e o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, por Brisa Pozzi, Luana Cristina Alarcão e Patrícia Carneiro

Biblio Indexa e o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, por Brisa Pozzi, Luana Cristina Alarcão e Patrícia Carneiro

Biblio Indexa e o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas

Brisa Pozzi, Luana Cristina Alarcão e Patrícia Carneiro
brisa.pozzi@unirio.br

Índice(s), palavra familiar para profissionais de diferentes áreas, com especificações e aplicações que permitem várias compreensões. Na Economia, por exemplo, são indicadores estatísticos usados para mensurar o desempenho da inflação; na Matemática, representa um valor que indica a posição ou a mudança de uma variável; já na Computação, melhoram o desempenho das consultas e a eficiência geral do banco de dados. Não menos importante, na Biblioteconomia é produto do processo de indexação cujo foco é a representação e a organização para propiciar a recuperação.

Toda pessoa que faz uso de livros, em algum momento, é/foi afetada pela relevância de um índice. Quem nunca precisou recorrer a ele para localizar algum assunto, de forma ágil, ao invés de folhear todas as páginas? Em nossa mente, a consolidação da expressão artística musical no videoclipe da canção Livros1, de Caetano Veloso, nos impele ao imaginário desse elemento indelével. O cenário do Real Gabinete de Leitura Português, no Rio de Janeiro, os livros e mais livros, Caetano com uma lupa durante a leitura, a procura, ele canta: “Os livros são objetos transcendentes.”

Com longa jornada de existência não nos deteremos a detalhes históricos nem dos livros e tão pouco dos seus elementos. De toda forma e considerando o cenário contemporâneo, soma-se a imprescindibilidade dos índices na recuperação da informação como meio para viabilizar o acesso rápido e preciso aos conteúdos documentais. Portanto, o índice é elemento chave em Sistemas de Recuperação da Informação (SRI).

Nesse sentido e, ao longo do tempo, o desenvolvimento da elaboração de índices englobou tanto os livros quanto os SRI (como por exemplo, os catálogos de bibliotecas), enquanto resultado do processo de indexação com seus aspectos teórico-metodológicos.
De maneira ampla, os assuntos para a estruturação dos índices são registrados na forma de entradas, com o objetivo de ser um recurso para a recuperação da informação. As entradas identificam o tipo de arranjo do índice, podendo ser alfabético, sistemático, cronológico ou geral (combinação de diferentes tipos de entradas), dentre outros.

Nessa direção, o projeto de pesquisa centraliza o índice, notando-se pelo título: ‘O índice no combate à violência contra mulheres e meninas’, que carinhosamente denominamos ‘Biblio Indexa’. Ele foi formalizado no ano de 2025 na Diretoria de Pesquisa, vinculada à Pró-reitora de Pós-graduação, Pesquisa e Inovação (PROPGPI), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). O projeto centraliza a relevância do índice, tanto no seu aspecto teórico quanto prático, produto estimado na perspectiva teórica da Indexação.

Ainda no ano de 2025, o projeto foi contemplado com uma bolsa de iniciação científica e realizamos a feliz parceria com a discente Luana Cristina Alarcão, do curso de bacharelado em Biblioteconomia. Na mesma medida de contento, somou-se ao projeto de forma voluntária uma segunda discente, Patricia Carneiro, do curso de licenciatura. Na Unirio temos ambas graduações em Biblioteconomia.

Também no referido ano, o projeto deu base ao desenvolvimento de estágio pós-doutoral em curso pela coordenadora, Brisa Pozzi de Sousa, no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), na Universidade Federal Fluminense (UFF), com supervisão de Suellen Oliveira Milani.

Nesse entrelaçamento, pomos em relevo o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas no que tange a representação de informações sobre esse recorte, na forma de índice. Em um país onde a violência de gênero infelizmente impõe números persistentes, o debate acadêmico, ao que tudo indica, segue como ferramenta indispensável para tencionar mudanças. A Biblioteconomia tem muito a contribuir.

O primeiro passo do projeto foi a elaboração de um site <biblioindexa.com.br>, focado no mapeamento de legislações vigentes e informações que abarcam o enfrentamento desse tipo de violência.

Lamentavelmente, por um longo período, a violência contra à mulher foi naturalizada e o seu reconhecimento como uma grave violação de direitos humanos no Brasil ocorreu somente em 2006, através da Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340 (Brasil, 2006) 2. Antes dela, as vítimas eram amparadas pela Lei nº 9.099 (Brasil, 1995) 3, que regula crimes de menor potencial ofensivo.

Nos dias atuais, a Lei Maria da Penha é a principal legislação brasileira para coibir, prevenir e punir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Considerando sua relevância um guia foi elaborado e, em breve, estará disponível no site com o seguinte arranjo: 

Parte I – breve explicação sobre os trâmites de criação de uma lei no Brasil bem como a forma de estruturá-la, sendo esse percurso necessário para compreensão da Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340/2006; 

Parte II, soma-se um corpus de referências de leis vigentes que envolvem a proteção e o combate à violência contra mulher e contra meninas; por fim, na 

Parte III, termos relevantes são elencados, a partir da própria Lei Maria da Penha, principal dispositivo legal do Brasil para coibir e prevenir a violência contra a mulher.

Página inicial do site “Biblio Indexa”

De forma efetiva disponibilizamos no site acesso a campanhas, documentos e informações relevantes sobre o enfrentamento à violência contra mulher. Dividimos em âmbito nacional e estadual, sendo o segundo a partir do recorte do estado do Rio de Janeiro.

O enfrentamento da violência contra mulheres e meninas deve ser uma preocupação de todas as áreas, de todas as pessoas. Nesse sentido, um levantamento para mapear pesquisas realizadas a partir da lente da Biblioteconomia e Ciência da Informação está em andamento. Ressalta-se o foco ser no enfrentamento.

Para reforçar essa ação e, de forma alusiva e reflexiva ao mês de março, pois temos datas relevantes, conforme já sabemos – em 8/3 (Dia Internacional da Mulher) e 12/3 (Dia da Pessoa Bibliotecária) – queremos saber o que tem sido feito, independente se na perspectiva da organização, da mediação, da gestão, etc. Ressaltando o foco ser no enfrentamento à violência.

A trajetória acadêmica de cada profissional, da graduação à pós-graduação, revela a profundidade e a riqueza da Biblioteconomia. Precisamos participar do debate e da união de esforços sobre o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas e, considerando isso, te encorajamos a compartilhar conosco o que realizou, pesquisou, publicou no tocante ao enfrentamento dessa violência, que é transgeracional. Educação e informação são peças chave na aspiração de mudança.

Querem as mulheres permanentemente caladas, submissas e objetificadas. Tencionamos quebrar esse ciclo, porém, não será instantaneamente.

Mobilizamos com o que temos a oferecer: informação. Todavia, não somente no mês de março, porque o processo deve e precisa ser contínuo.

Acesse o projeto em:

SOUSA, Brisa Pozzi de. Biblio Indexa: o índice no combate à violência contra meninas: aporte da Biblioteconomia, Arquivologia e Computação. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2025. Disponível em: https://biblioindexa.com.br. Acesso em: 2 abril 2026.

Notas das autoras:

[ 1 ] VELOSO, Caetano. Livros. Rio de Janeiro: Universal Music Ltda, 1997. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AkPozzLSrsM . Acesso em: 20 mar. 2026.

[ 2 ] BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher […]. Presidência da República, Brasília, DF, 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm . Acesso em: 18 mar. 2026.

[ 3 ] BRASIL. Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 1995. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm . Acesso em: 18 mar. 2026.

Sobre as autoras

Brisa Pozzi de Sousa

Professora dos cursos de bacharelado e licenciatura em Biblioteconomia e do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Bacharela em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Espírito Santo. 

Luana Cristina Alarcão

Bolsista de pesquisa PIBIC na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Estagiária na Biblioteca da Escola de Guerra Naval.

Estudante do Bacharelado em Biblioteconomia, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Patrícia Carneiro de Medeiros

Voluntária de pesquisa PIBIC na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Assistente de Controle Interno da Secretaria de Estado de Cultura.

Estudante da Licenciatura em Biblioteconomia, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.


Redação: Brisa Pozzi de Sousa, Luana Cristina Alarcão, Patrícia Carneiro de Medeiros
Fotografia: Brisa Pozzi de Sousa, Luana Cristina Alarcão, Patrícia Carneiro de Medeiros
Diagramação: Marcelly Yasmim Portela Trindade

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