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v. 3, n. 11, nov. 2025
Da Informação ao Cuidado: uma trajetória na Ciência da Informação e na Saúde, por Martins Neto

Da Informação ao Cuidado: uma trajetória na Ciência da Informação e na Saúde, por Martins Neto

Da Informação ao Cuidado: uma trajetória na Ciência da Informação e na Saúde

Martins Fideles dos Santos Neto
martins_neto17@hotmail.com

Há caminhos que não nascem prontos, mas se constroem na travessia. Assim é a jornada de quem escolhe a Ciência da Informação (CI), uma área que floresce entre disciplinas e transforma vidas por meio do conhecimento.

Nascido em Bebedouro, interior de São Paulo, entre o ofício técnico do pai e a docência da mãe, cresci em um lar que valorizava o trabalho e o aprendizado. Apesar das expectativas esportivas, alimentadas por minha altura (203 cm), o que realmente me fascinava era a magia de ensinar e aprender. 

Em 2007, iniciei a graduação em Biblioteconomia na UNESP de Marília, onde a vida acadêmica se tornou um campo fértil de descobertas. O contato com professores inspiradores e a vivência universitária me ensinaram que a CI é, antes de tudo, uma ciência de interface: dialoga com a tecnologia, a comunicação, a educação e, como eu descobriria adiante, com a saúde.

O mestrado consolidou essa aproximação entre tecnologia, informação e saúde. Trabalhar com ontologias de imagens médicas me fez compreender que o bibliotecário e o cientista da informação não são apenas mediadores de conteúdo, mas estrategistas do conhecimento.

De volta à minha cidade natal, iniciei a carreira docente e logo fui convidado a integrar a equipe do Hospital de Câncer de Barretos (HCB), hoje Hospital de Amor. Lá, percebi o quanto o papel do bibliotecário ainda era subestimado. Com planejamento, empatia e visão de futuro, transformei um espaço silencioso e pouco frequentado em um núcleo dinâmico de conhecimento e educação científica.

Em pouco tempo, as formações oferecidas pela biblioteca alcançaram departamentos clínicos, unidades de terapia intensiva e centros cirúrgicos. Comecei a ir até os profissionais, levando a informação onde ela era mais necessária. Assim nasceu uma nova visão: a biblioteca como agente de cuidado.

A integração com os times multiprofissionais me aproximou da linguagem médica e dos processos administrativos, consolidando um perfil de profissional híbrido, capaz de transitar entre a ciência da informação, a gestão e a prática clínica. Passei a integrar reuniões estratégicas da instituição, oferecendo soluções baseadas em evidências.

O aprendizado contínuo também me conduziu ao Comitê de Ética em Pesquisa, onde pude compreender as necessidades informacionais desde a gênese dos projetos científicos. Durante a pandemia, atuei no combate à desinformação em saúde, desenvolvendo estratégias para mitigar o impacto das fake news.

Um dos marcos mais profundos foi o contato com o Departamento de Cuidados Paliativos. Lá aprendi que, enquanto há vida, há possibilidade de cuidado, dignidade e sorriso. Essa experiência me inspirou a unir, novamente, ciência da informação e saúde, agora em um doutorado voltado às revisões bibliométricas e sistemáticas.

A maturidade profissional trouxe também um senso de responsabilidade social. Refletindo sobre a equidade racial e indígena na saúde, criei dois projetos de grande impacto, voltados à população negra e indígena, com foco em prevenção do câncer e saúde digital. A aprovação e o financiamento milionário da Bristol Myers Squibb Foundation tornaram possível transformar ideias em ações concretas, levando informação, prevenção e esperança a comunidades historicamente invisibilizadas.

Hoje, trabalho em um departamento de educação em saúde oncológica, no Ministério da Saúde, especificamente no INCA. Atuo com Informação e Inteligência Artificial.

A trajetória que começou em uma pequena cidade e atravessou bibliotecas, hospitais, salas de aula e projetos internacionais, mostra que a Ciência da Informação é uma área sem fronteiras. Ela acolhe a curiosidade dos cientistas, a sensibilidade dos educadores e o olhar estratégico dos gestores.

E se há algo que aprendi nessa jornada é que a Ciência da Informação é, simultaneamente, uma arte, uma ciência e um ato de cuidado. Em minha escolha, a saúde, ela tem o poder de impactar vidas, direta e indiretamente, tornando o conhecimento uma forma de cura e o bibliotecário, um agente silencioso da esperança.

Sobre o autor

Martins Fideles dos Santos Neto

Doutor em Ciências da Saúde pelo Hospital de Câncer de Barretos. Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista. Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Estadual Paulista. 

Coordenador de projetos no Instituto Nacional de Câncer (INCA)/Ministério da Saúde Coordenador do Grupo de Pesquisa GEISATEC – Gestão e Tecnologia: Inovação em Saúde.


Redação: Martins Fideles dos Santos Neto
Fotografia: Martins Fideles dos Santos Neto
Diagramação: Marcos Leandro Freitas Hübner

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