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v. 3, n. 11, nov. 2025
Bibliotecas públicas e comunitárias como espaços de inclusão social, por Luis Cláudio Borges

Bibliotecas públicas e comunitárias como espaços de inclusão social, por Luis Cláudio Borges

Bibliotecas públicas e comunitárias como espaços de inclusão social

Luis Cláudio Borges
luis.borges@unir.br

As bibliotecas públicas e comunitárias constituem-se, no cenário atual, como instituições estratégicas para a promoção da inclusão social e informacional. Para além das conhecidas funções de depositária de livros e centros de consulta, essas instituições vêm sendo ressignificadas como espaços sociais, ambientes de encontro, escuta e participação cidadã. Assim, essas bibliotecas assumem a tarefa ética, política e social de ampliar o acesso à informação e ao conhecimento, estimular a leitura, promover a apropriação das tecnologias digitais e fortalecer os vínculos comunitários em contextos marcados pelas desigualdades.

O Manifesto da IFLA UNESCO para Bibliotecas Públicas (2022) reafirma que a biblioteca é “centro local de informação” e agente essencial das sociedades do conhecimento, devendo garantir o acesso universal e significativo à informação. Contudo, essa função não se concretiza apenas pela existência de acervos, mas pelas práticas de mediação da informação que dão vida e sentido ao espaço. Para Almeida Júnior (2015), a mediação, entendida como ação intencional que favorece a apropriação crítica da informação, é o que torna a biblioteca um ambiente dinâmico, democrático e inclusivo.

No Brasil, conforme Borges e Olinto (2022), algumas experiências como as da Biblioteca de São Paulo, da Biblioteca Parque Villa-Lobos, da Estação Literária de Guararema e das bibliotecas da Maré, no Rio de Janeiro, ilustram a força das práticas mediadoras no fortalecimento das relações entre informação, leitura e cidadania. Em contextos distintos, de parques urbanos a comunidades periféricas, essas instituições revelam que a inclusão social passa também pela inclusão informacional e simbólica. 

Para Gomes (2019), os bibliotecários e os profissionais da informação, ao atuarem como mediadores, tornam-se agentes sociais que interferem conscientemente na realidade, criando condições para que os sujeitos se reconheçam como protagonistas do conhecimento. Essa visão aproxima a mediação da proposta freiriana de educação libertadora, valorizando os processos de dialogar, problematizar e participar a partir da leitura crítica da realidade. 

Para Borges (2021), falar em bibliotecas públicas e comunitárias é reconhecer que a biblioteca é, sobretudo, um espaço de inclusão social e cidadania. Estas instituições podem contribuir para redução das desigualdades de acesso à informação, estímulo à aprendizagem ao longo da vida, o aprimoramento da competência em informação para inclusão digital e o fortalecimento do protagonismo das pessoas. A biblioteca valoriza a participação das pessoas, acolhe as diferenças, escuta a comunidade e busca responder às suas demandas informacionais. 

O desafio atual continua sendo fortalecer políticas públicas que assegurem a sustentabilidade dessas iniciativas. Muitas bibliotecas comunitárias dependem de trabalho voluntário e parcerias locais, o que evidencia a necessidade de maior investimento e reconhecimento institucional. Em algumas experiências, a ausência do Estado não anula o papel social da biblioteca; ao contrário, amplia a responsabilidade dos mediadores e das redes comunitárias em manter esses espaços de informação, leitura e resistência (Borges, 2021).

Em tempos de desinformação, intolerância e aumento da desigualdade social, as bibliotecas públicas e comunitárias seguem reafirmando sua relevância. São lugares de confiança, diálogo e construção coletiva. Ao garantir o direito de ler, de aprender e de participar, as bibliotecas públicas e comunitárias reafirmam também o princípio de que a informação é um bem comum, portanto, um direito de todos. Fortalecer essas instituições significa investir em um projeto democrático de sociedade, no qual cada pessoa tenha a oportunidade de se tornar leitora, autora e protagonista da própria história.

Referências

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Mediação da informação: um conceito atualizado. In: Bortolin, Sueli; Santos Neto, João Arlindo. Mediação oral da informação e da leitura. Londrina: ABECIN, 2015, p. 9-32.

BORGES, Luis Claudio. Mediação da informação para inclusão social em bibliotecas públicas: experiências nas cidades de São Paulo e Jacareí. 2021. Tese (Doutorado em Ciência da Informação). Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia / Universidade Federal do Rio de Janeiro. Disponível em: http://ridi.ibict.br/handle/123456789/1336 . Acesso em: 15 de out. 2025

BORGES, Luis Claudio; OLINTO, Gilda. Práticas de mediação em bibliotecas públicas e comunitárias no Brasil: experiências em São Paulo e Rio de Janeiro. In: DUARTE, Zeny; CERVEIRA, Elisa. (Org.). O futuro digital em instituições de informação e cultura. 1ed. Porto: CITCEM, 2024, v. 1, p. 97-109. Disponível em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/20027.pdf . Acesso em: 15 de out. 2025.

GOMES, Henriette Ferreira. Protagonismo social e mediação da informação. Logeion: filosofia da informação, v. 5, n. 2, p. 10-21, 2019. DOI: 10.21728/logeion. 2019, v. 5, n. 2. p10-21. Acesso em: 10 ago. 2019. Disponível em: https://revista.ibict.br/fiinf/article/view/4644 . Acesso em: 20 out. 2025

IFLA/UNESCO. Manifesto da Biblioteca Pública IFLA-UNESCO 2022. Disponível em: https://repository.ifla.org/handle/20.500.14598/2187 . Acesso em: 21 out. 2025

Sobre o autor

Luis Cláudio Borges

Doutor e Mestre em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Maranhão. 

Bibliotecário-documentalista na Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), onde já exerceu as funções de Gerente da Biblioteca Setorial de Cacoal, Secretário e Diretor da Biblioteca Central.


Redação: Luis Cláudio Borges
Fotografia: Luis Cláudio Borges
Diagramação: Iasmim Farias Campos Lima

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