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v. 3, n. 10, out. 2025
A História do livro : marcos e transformações, por Ana Lúcia Merege

A História do livro : marcos e transformações, por Ana Lúcia Merege

A História do livro : marcos e transformações

Ana Lúcia Merege
anamerege@gmail.com

A História do livro : marcos e transformações” reúne os 38 textos que publiquei sobre o assunto durante a pandemia de COVID-19, como parte das minhas atribuições na  Fundação Biblioteca Nacional. A escolha do tema, o processo de escrita e o formato adotado para a obra refletem não apenas minha trajetória profissional, mas também alguns dos interesses que me acompanham desde a adolescência. 

Livros e Literatura sempre fizeram parte da minha vida, bem como a paixão pela História e suas ciências correlatas. Recém-formada em Biblioteconomia, tive a oportunidade de trabalhar com manuscritos e obras raras em Portugal, e lá comecei a pesquisar sobre a história da escrita, do livro e das bibliotecas. De volta ao Brasil, fiz um mestrado em Ciência da Informação sobre esse tema, e continuei a pesquisa ao longo da minha carreira como servidora da Fundação Biblioteca Nacional. Além do trabalho técnico de descrição e organização do acervo, procuro contribuir para a divulgação, atuando como mediadora em visitas técnicas, organizando mostras de documentos e, principalmente, publicando textos informativos, voltados para o público em geral.

Em março de 2020 a COVID-19 chegou ao Brasil, dando início a um prolongado período de restrições e confinamento. A Fundação Biblioteca Nacional passou a funcionar por meio de trabalho remoto, intensificando sua presença online. E, uma vez que eu já escrevia regularmente na página oficial da instituição, decidi publicar textos um pouco mais longos, contemplando não apenas o acervo e as coleções, mas também temas mais amplos, relativos à História, às Artes, à Literatura e à Documentação. 

O ponto de partida foram dois artigos que eu havia escrito para os Anais da Biblioteca Nacional, um dos quais era sobre a história da escrita e o outro sobre a confecção, a ornamentação e a circulação dos livros manuscritos na Idade Média. A partir das pesquisas e referências que tinha da época, acrescentei informações, dividi os assuntos em tópicos e fui escrevendo e enviando os artigos. Seguia uma “linha do tempo” que, embora se baseasse na história do livro no Ocidente, não deixou de lado os marcos estabelecidos por outras civilizações, nem as trocas culturais que permitiram, por exemplo, a substituição do pergaminho pelo papel, inventado na China e trazido pelos árabes para a Europa Ocidental.

Capa do livro: “A história do livro” / Foto: Biblioteca Nacional

Eu havia trabalhado com manuscritos durante quase três décadas e, embora a conhecesse em linhas gerais, nunca havia me aprofundado na história do livro impresso. Fiz isso à medida que escrevia, recorrendo à minha biblioteca pessoal (tal como Umberto Eco, eu tenho muitos livros nas estantes que esperam a hora certa de ser lidos) e a textos disponibilizados na Internet por acadêmicos e estudiosos. A cada artigo eu aprendia um pouco mais e fazia conexões entre a história editorial e a história da sociedade e das ideias: como os livros se popularizaram com as edições de bolso, como as navegações ampliaram horizontes e propiciaram o surgimento da literatura de viagem, como a leitura se tornou algo coletivo e ganhou os salões da Europa no século XVIII. Foi quando achei que seria importante escrever sobre as enciclopédias, a sistematização do saber, a formação das bibliotecas nacionais, a circulação de livros europeus em outros continentes. E, nessa viagem, acabei chegando ao Brasil.

A produção e a circulação de impressos no país se desdobrou em vários artigos, que abordam, entre outros temas, a questão do livro no Brasil Colônia, o período joanino, a Impressão Régia, as primeiras tipografias e periódicos. Tratei, depois, das primeiras casas editoriais estabelecidas aqui, ainda no século XIX, e fui contando essa história até os anos 1960-1970, época em que surgiram – ou alcançaram seu período áureo – algumas das mais tradicionais editoras brasileiras. A BN Digital e a Hemeroteca Digital forneceram imagens ilustrativas e links para enriquecer os artigos, a maior parte dos quais foi publicada entre maio de 2020 e junho de 2021, na página oficial e nas redes sociais da Fundação Biblioteca Nacional.

Contracapa do livro: “A história do livro” / Foto: Biblioteca Nacional

Ao retomarmos as atividades presenciais, voltei a escrever artigos mais curtos, com foco nas coleções da Divisão de Manuscritos, mas já contemplava a ideia de reunir os textos sobre História do Livro numa publicação. A ideia ganhou força quando comecei a receber feedback positivo sobre os textos online, principalmente por parte de professores. Um deles foi o Prof. Dr. Fabiano Cataldo, docente da UFBA e pesquisador do IBRAM, que, mais tarde, nos daria a honra de escrever o prefácio. Seu incentivo foi muito importante para que eu levasse o projeto à minha chefe imediata, à Coordenadora de Acervo Especial da Biblioteca Nacional e ao editor da instituição. Todos se interessaram pela proposta, e o livro começou a ser produzido no primeiro semestre de 2024.

Algumas escolhas tiveram de ser feitas ao longo do processo. Várias foram decisões editoriais, como a forma de apresentar os links e as ilustrações – escolhemos apenas algumas das muitas que acompanhavam os artigos – e a inclusão da obra na Coleção Cadernos da Biblioteca Nacional, o que propiciou uma tiragem impressa além do livro digital proposto a princípio. Outra escolha, que partiu de mim, foi manter a integridade dos textos. Publicados individualmente, alguns continham informações repetidas; mas, como eu queria que os artigos pudessem ser lidos e referenciados separadamente, optamos por fazer do livro um apanhado deles e não uma obra em capítulos, na qual a compreensão talvez dependesse da leitura do texto anterior.

A versão impressa da obra vem sendo muito bem recebida, tanto que restam poucos exemplares disponíveis. A versão digital em PDF está disponível na página da Biblioteca Nacional e tem tido bastante acesso por parte do público. Isso me deixa feliz, pois percebo que meu trabalho atingiu os objetivos propostos: não apenas contribuir para a divulgação do nosso acervo e transmitir informações, mas também sublinhar a importância do livro, da leitura e das bibliotecas para a sociedade.

Adquira o livro em:

MEREGE, Ana Lúcia. A história do livro: marcos e transformações. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2025. (Cadernos da Biblioteca Nacional). Disponível em: https://www.gov.br/bn/pt-br/central-de-conteudos/producao/publicacoes/colecoes/cadernos-da-fbn/a-historia-do-livro-marcos-e-transformacoes/cbn21_digital.pdf . Acesso em: 06 de julho de 2025.

Sobre a autora

Ana Lúcia Merege

Bibliotecária da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Escritora premiada no gênero literatura infantojuvenil e contos.

Mestra em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bacharela em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.


Redação: Ana Lúcia Merege

Fotografia: Ana Lúcia Merege
Diagramação: Ana Júlia Pereira de Souza

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