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v. 4, n. 02, fev. 2026
Quando universidade e empresa pesquisam juntas: a preocupação com os dados de pesquisa – Entrevista com Larissa Alves

Quando universidade e empresa pesquisam juntas: a preocupação com os dados de pesquisa – Entrevista com Larissa Alves

Quando universidade e empresa pesquisam juntas: a preocupação com os dados de pesquisa – Entrevista com Larissa Alves

Larissa Alves
alveslarissa@usp.br

Sobre a entrevistada

Em 2025, Larissa Alves defendeu sua dissertação no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de São Paulo, sob orientação da Profa. Dra. Asa Fujino

Natural de Pirassununga, interior de São Paulo, Larissa tem 26 anos e é graduada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos. Fora do ambiente de trabalho e pesquisa, dedica-se à leitura e ao aprofundamento em temas relacionados à ciência e cultura.

Sua dissertação, intitulada “Desafios para a gestão de dados de pesquisa no contexto da cooperação universidade-empresa”, investigou como os dados de pesquisa são organizados, protegidos e utilizados em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) realizados em parceria entre universidades e empresas. O estudo mostrou que o compartilhamento de dados de pesquisa costuma ser limitado por contratos e regras de confidencialidade, destacando o papel do Plano de Gestão de Dados (PGD) como uma ferramenta para orientar a organização, a proteção e o planejamento do uso e do reúso dos dados de pesquisa nesse tipo de cooperação.

Divulga-CI: O que te levou a fazer o mestrado e o que te inspirou na escolha do tema da dissertação?

Larissa Alves (LA): Para responder a essa pergunta, preciso voltar um pouco no tempo: decidi me tornar bibliotecária ainda muito jovem, por volta dos 12 ou 13 anos, movida principalmente pelo amor à profissão. Naquele momento, meu entendimento sobre o campo da Biblioteconomia ainda era bastante intuitivo e leigo, mas esse interesse inicial se fortaleceu ao longo da graduação, quando tive contato mais próximo com a Biblioteconomia e a Ciência da Informação, e me apaixonei ainda mais pela área.

Logo no primeiro ano da graduação, fui bolsista de extensão em um projeto de curadoria de acervos, voltado à conservação de fotografias históricas, culturais e patrimoniais da cidade de São Carlos – SP. Essa experiência foi fundamental para despertar meu interesse pela pesquisa. Em 2018, no segundo ano do curso, minha orientadora à época, a Profa. Ana Carolina Simionato Arakaki, me apresentou o tema de gestão de dados de pesquisa, que passou a orientar meus estudos desde então. 

A partir das experiências com projetos de Iniciação Científica, financiados tanto pelo CNPq quanto pela FAPESP, fui consolidando o desejo de seguir a carreira acadêmica, o que me levou naturalmente à decisão de cursar o mestrado acadêmico. Já o tema da dissertação resulta desse percurso: além do contato contínuo com a gestão de dados de pesquisa desde a graduação, a ênfase em Informação Empresarial na UFSCar me aproximou do tema de cooperação universidade-empresa. Essa combinação foi determinante para que, no mestrado na USP, eu pudesse trabalhar a articulação entre cooperação universidade-empresa e gestão de dados de pesquisa. Essa articulação é particularmente interessante, pois envolve o tratamento de dados de pesquisa valiosos e, muitas vezes, sensíveis, comerciais, sigilosos etc. Em áreas da Saúde, por exemplo, há dados pessoais e sigilosos, como os relacionados ao desenvolvimento de fármacos protegidos por patentes. Na Engenharia, processos, softwares e formulações podem estar sujeitos a segredos industriais ou propriedade intelectual. Outras áreas também lidam com dados de pesquisa protegidos por direitos autorais, marcas registradas ou segredos comerciais. Isso evidencia a importância de gerenciar adequadamente os dados de pesquisa e conhecimentos produzidos, especialmente os sensíveis ou confidenciais, gerados em parcerias de PD&I, licenciamento e transferência de tecnologia.

DC: Quem será o principal beneficiado pelos resultados alçados?

LA: Os principais beneficiados pelos resultados da pesquisa são as pesquisadoras e os pesquisadores que atuam em projetos de PD&I em parceria com empresas, assim como as próprias instituições envolvidas nesses acordos, como universidades, empresas e agências de fomento. Ao propor diretrizes para a elaboração de Planos de Gestão de Dados nesse tipo de cooperação, o estudo busca contribuir para práticas mais claras, seguras e alinhadas desde o início dos projetos, especialmente no que se refere ao uso, ao compartilhamento e ao reúso dos dados de pesquisa.

Dessa forma, a proposição de diretrizes para a elaboração de PGDs no contexto da cooperação universidade-empresa envolve aspectos como a construção conjunta do plano entre os parceiros, a definição compartilhada de objetivos, o tratamento das questões de confidencialidade e o alinhamento cultural entre os diferentes atores envolvidos. Assim, as diretrizes oferecem uma base para reflexões futuras e para o desenvolvimento de novos estudos que possam avaliá-las em diferentes contextos institucionais, áreas do conhecimento e realidades organizacionais, contribuindo para o aprimoramento da gestão de dados em projetos cooperativos, o fortalecimento do diálogo entre universidade e empresa e a ampliação das possibilidades de aproveitamento do conhecimento científico produzido.

Seria especialmente interessante que essas diretrizes fossem testadas no cotidiano das instituições, acompanhando o desenvolvimento real dos projetos de pesquisa realizados em cooperação com empresas. A aplicação prática permitiria observar como as diretrizes se comportam nas rotinas de trabalho, nos fluxos de produção e uso dos dados de pesquisa e nas negociações entre os diferentes atores envolvidos. Nesse contexto, é importante também destacar o papel do mediador da informação, em especial do bibliotecário, como profissional estratégico para apoiar a elaboração e a implementação dos Planos de Gestão de Dados, atuando na mediação entre interesses institucionais, exigências legais e na orientação de práticas de organização, preservação e compartilhamento dos dados de pesquisa.

DC: Quais as principais contribuições que destacaria em sua dissertação para a ciência e a tecnologia e para a sociedade?

LA: As principais contribuições da dissertação estão relacionadas ao avanço das discussões sobre a gestão de dados de pesquisa em projetos colaborativos de PD&I entre universidades e empresas, um tema ainda pouco explorado no campo da Ciência da Informação no contexto brasileiro. Do ponto de vista científico, o trabalho contribui ao sistematizar práticas, desafios e tensões envolvidos na gestão, no uso e no compartilhamento de dados de pesquisa em ambientes cooperativos, ampliando o entendimento sobre como diferentes culturas organizacionais impactam esses processos.

No campo da ciência e da tecnologia, a pesquisa oferece diretrizes para a elaboração de Planos de Gestão de Dados voltados especificamente para projetos de cooperação universidade-empresa, considerando aspectos como confidencialidade, propriedade intelectual e possibilidades de uso e reúso dos dados de pesquisa. Essas diretrizes podem apoiar pesquisadores, gestores e instituições na organização mais eficiente dos dados ao longo do ciclo da pesquisa, favorecendo a qualidade, a confiabilidade e o aproveitamento do conhecimento científico produzido em projetos de PD&I.

Já em relação à sociedade, a contribuição do estudo está na promoção de práticas mais responsáveis e transparentes na gestão de dados de pesquisa, especialmente em projetos financiados com recursos públicos ou que geram impactos sociais, científicos e tecnológicos. Ao evidenciar o papel estratégico da gestão e da curadoria de dados, e do bibliotecário como mediador da informação, a pesquisa reforça a importância de estruturas institucionais e profissionais capazes de garantir que os dados de pesquisa sejam preservados, utilizados de forma ética e, sempre que possível, reutilizados para a geração de novos conhecimentos e inovações, contribuindo para o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da sociedade como um todo.

DC: Seu trabalho está inserido em que linha de pesquisa do Programa de Pós-Graduação? Por quê?

LA: O trabalho está inserido na Linha de Pesquisa 2, denominada Gestão de Dispositivos de Informação, porque analisa como a informação é organizada e gerenciada em contextos institucionais específicos. No caso da dissertação, o foco são os dados de pesquisa gerados em projetos desenvolvidos com empresas.

Ao olhar para o dia a dia desses projetos, o estudo mostra como decisões simples (como onde os dados são guardados, quem pode acessá-los e como eles são registrados) influenciam o uso, a proteção e o aproveitamento dos dados ao longo do tempo.

DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?

LA: A definição da metodologia partiu, primeiro, da própria natureza do problema de pesquisa. Como o objetivo era compreender como os dados de pesquisa são tratados em projetos desenvolvidos em cooperação entre universidades e empresas, fez mais sentido adotar uma abordagem qualitativa, capaz de captar práticas, percepções e decisões que não aparecem apenas em documentos formais.

A pesquisa foi estruturada como um estudo de caso, com entrevistas semiestruturadas realizadas com líderes de grupos de pesquisa envolvidos em projetos cooperativos com empresas. Essas entrevistas permitiram entender o contexto de produção dos dados, as rotinas de trabalho, as regras de confidencialidade e os critérios adotados para o uso, o compartilhamento e o reúso dos dados de pesquisa. A partir da análise dessas falas, foi possível identificar desafios recorrentes e, com base neles, propor diretrizes para a elaboração de Planos de Gestão de Dados adequados a esse tipo de cooperação.

DC: Quais foram as principais dificuldades no desenvolvimento e escrita da dissertação?

LA: Uma das principais dificuldades foi encontrar referências suficientes que dialogassem, de forma direta, com a fusão entre os temas da gestão de dados de pesquisa e da cooperação universidade-empresa, especialmente no contexto brasileiro, o que exigiu um esforço maior de articulação entre diferentes literaturas.

Outro desafio esteve relacionado ao próprio tempo do mestrado, que é mais curto e exige recortes bem definidos. O tema abre espaço para muitas discussões relevantes que não puderam ser aprofundadas, como as relações entre ciência aberta e inovação aberta em projetos colaborativos. Países como a Finlândia, por exemplo, já apresentam experiências consolidadas nessa articulação, mas esses debates precisaram ser apenas indicados como possibilidades para pesquisas futuras, respeitando a orientação de que o trabalho fosse objetivo e compatível com o escopo do mestrado.

DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a dissertação?

LA: Eu diria que a dissertação foi composta por cerca de 20% de inspiração e 80% de transpiração. A inspiração esteve na escolha do tema, que me acompanha desde a graduação e dialoga com minhas experiências de pesquisa. Já a maior parte do trabalho foi, de fato, construída com muito esforço cotidiano: leitura, escrita, revisão, organização dos dados e amadurecimento das ideias ao longo do tempo. É nesse processo contínuo que a pesquisa realmente acontece.

DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da dissertação?

LA: Teria muitos desabafos, como é comum em uma trajetória de mestrado. Alguns ficam melhor guardados, outros podem ser compartilhados. Foi um caminho intenso, com desafios e aprendizados, mas o saldo é muito positivo. A defesa marcou não apenas a conclusão de um trabalho acadêmico, mas um importante processo de amadurecimento pessoal e profissional.

DC: Como foi o relacionamento com a família durante este tempo?

LA: Senti o apoio da minha família de criação e também da minha família de coração ao longo desse período. Ainda assim, o processo do mestrado é, em muitos momentos, solitário, mesmo quando se tem uma rede de apoio. Há desconfortos e confortos que são muito pessoais e fazem parte do percurso. No fim, foi uma experiência que contribuiu para fortalecer minha autonomia e minha capacidade de lidar com os desafios que surgiram ao longo do caminho.

DC: Agora que concluiu a dissertação, o que mais recomendaria a outros mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?

LA: Eu recomendaria que outros mestrandos usassem o trabalho como ponto de partida para explorar a gestão de dados de pesquisa em contextos colaborativos, aprofundando a análise do compartilhamento, do reúso e das práticas institucionais. É importante também olhar para a perspectiva das empresas, já que minha pesquisa considerou apenas o ponto de vista da universidade, e investigar como diferentes atores lidam com os dados ao longo do ciclo de projetos cooperativos. Além disso, sugiro estudar plataformas institucionais de gestão de dados de pesquisa, cuja ausência foi apontada pelos grupos entrevistados, para identificar soluções que ofereçam suporte efetivo aos pesquisadores ao longo do processo de gestão. Adicionaria também que, testar as diretrizes propostas em situações reais pode mostrar como elas funcionam no dia a dia dos projetos e como o bibliotecário ou mediador da informação pode apoiar esse processo. Por fim, manter curiosidade, paciência e flexibilidade nesse percurso, pois cada projeto e parceria têm suas particularidades e desafios próprios. P.S.: não deixarei de recomendar a possibilidade de aprofundar nos temas de ciência aberta e inovação aberta no âmbito da cooperação entre universidade e empresa ou universidade, empresa e governo, olhando para a abertura de dados de pesquisa. São temas muito interessantes e conectados. Como mencionei anteriormente, a Finlândia tem um conjunto de pesquisadores cuja atuação em projetos de PD&I demonstra forte articulação entre práticas de ciência aberta e inovação aberta, oferecendo perspectivas valiosas para compreender os desafios e as possibilidades da gestão de dados em contextos de inovação colaborativa. Explorar esses temas pode ajudar a identificar como tornar os dados de pesquisa mais acessíveis e reutilizáveis, contribuindo para avanços científicos e tecnológicos de forma ética e responsável, além de fortalecer a integração entre universidades, empresas e governos. Deixo aqui alguns trabalhos interessantes, como os de Anna Mikkonen et al. (2022) e Seliina Päällysaho et al. (2020) e (2021).

DC: Como você avalia a sua produção científica durante o mestrado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?

LA: Considerando que defendi a dissertação em 29 de outubro de 2025 e enviei a versão corrigida para o repositório em dezembro de 2025, a produção científica derivada ainda está em início de divulgação. No momento, já submeti um artigo derivado da pesquisa, que se encontra em processo de avaliação.

Durante o mestrado, participei de eventos importantes para compartilhar os resultados da dissertação. Em 2024, no XXIV Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ENANCIB), em Vitória (ES), apresentei um resumo expandido intitulado “Gestão de dados de pesquisa na cooperação universidade-empresa”, que foi premiado em primeiro lugar na modalidade Resumo Expandido no GT4 – Gestão da Informação e do Conhecimento. Fiquei muito feliz.

Além disso, apresentei trabalhos derivados da dissertação em outros eventos. Em 2024, participei do III Seminário Internacional do Grupo de Pesquisa BRIET (IBICT), com a apresentação intitulada “Desafios para gestão de dados de pesquisa no contexto da cooperação universidade-empresa”. Em 2025, apresentei o mesmo tema no VII Seminário de Pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da ECA/USP, em São Paulo. No mesmo ano, participei do IV Seminário Internacional do Grupo de Pesquisa BRIET (IBICT), com o trabalho intitulado “Gestão de dados de pesquisa no contexto da cooperação universidade-empresa”.

Além desses, realizei uma apresentação interna para o Grupo de Pesquisa BRIET do IBICT, abordando a gestão de dados de pesquisa em projetos colaborativos de PD&I com empresas na Finlândia, incluindo aspectos de inovação aberta e cooperação internacional.

DC: Desde a conclusão da dissertação, o que tem feito e o que pretende fazer em termos profissionais?

LA: Desde a conclusão da dissertação, tenho me dedicado à elaboração de artigos no Grupo de Pesquisa BRIET e à coordenação de projetos internos. Também estou em fase de associação e de possíveis produções futuras e conjuntas no Laboratório de Ciência Aberta e Dados de Pesquisa para Apoio à Inovação (LabINOVA), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Em paralelo, estou me preparando para iniciar o doutorado em breve.

DC: Pretende fazer doutorado? Será na mesma área do mestrado?

LA: Sim, com toda a certeza. Será na mesma área de Ciência da Informação, com foco em gestão de dados de pesquisa e ciência aberta.

DC: O que faria diferente se tivesse a chance de ter começado sabendo o que sabe agora?

LA: Se eu pudesse recomeçar, diria a mim mesma para perseverar, mesmo diante de adversidades e da falta de incentivos. O percurso teria sido muito mais tranquilo se eu tivesse esse pensamento desde o início (algo que só aprendi ao longo do caminho). Percebi que manter autonomia, segurança e clareza de objetivos, além de cuidar da força emocional e psicológica, é extremamente importante. Também recomendo ter uma rede de apoio e trocar experiências com colegas e especialistas da área, para aprender e se fortalecer ao longo da pesquisa.

DC: O que o Programa de Pós-Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de mestrado?

LA: O Programa de Pós-Graduação me proporcionou um espaço para aprender, experimentar e desenvolver minha pesquisa, oferecendo orientação, acesso a recursos e contato com colegas e especialistas que contribuíram para meu crescimento acadêmico e profissional. Em troca, procurei contribuir para a vida do Programa, participando de eventos, seminários e apresentações, compartilhando resultados da minha pesquisa e colaborando com discussões e atividades que fortalecessem o ambiente de aprendizado e de produção científica para todos. Meu foco é retornar tudo isso, um dia, para a sociedade.

DC: Você por você:

LA: Me sinto muito feliz por ter concluído mais uma etapa da minha trajetória e sou extremamente grata aos meus familiares de coração e de criação. Também sou muito grata à Profa. Luana Sales e à Profa. Ana Arakaki. Sou a primeira pessoa da minha família a conquistar o mestrado, e só posso celebrar e agradecer por essa conquista, especialmente em uma área que tanto amo e que escolhi ainda aos 12 ou 13 anos. Agradeço também à UFSCar e à USP – que é mãe. Brindo à perseverança em meio às adversidades, à humildade e à esperança de um mundo melhor, com pessoas melhores.


Entrevistada: Larissa Alves
Entrevista concedida em:  2 de fevereiro de 2026
Formato de entrevista: Escrita
Redação da Apresentação: Larissa Alves
Fotografia: Larissa Alves
Diagramação: Pedro Ivo Silveira Andretta

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