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v. 3, n. 10, out. 2025
O desafio educacional dos bibliotecários dos Institutos Federais de Educação Profissional  – Entrevista com Miriã Santana Veiga

O desafio educacional dos bibliotecários dos Institutos Federais de Educação Profissional  – Entrevista com Miriã Santana Veiga

O desafio educacional dos bibliotecários dos Institutos Federais de Educação Profissional  – Entrevista com Miriã Santana Veiga

Miriã Santana Veiga
miria.veiga@ifro.edu.br

Sobre a entrevistada

Em 2023, Miriã Santana Veiga defendeu sua tese pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), sob orientação da Profa. Dra. Jussara Santos Pimenta.

Miriã é paraense, natural de Belém (PA) e bibliotecária no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Calama. No tempo livre, dedica-se à leitura e à dança de salão.

Sua tese, intitulada “Educação e bibliotecas multiníveis: o desafio educacional dos bibliotecários dos Institutos Federais de Educação Profissional no Brasil”, analisou como bibliotecas multiníveis e profissionais da Biblioteconomia nos Institutos Federais contribuem para o fortalecimento de conhecimentos dos estudantes e quais desafios enfrentam. Os resultados de sua pesquisa evidenciam práticas educativas orientadas pelas necessidades informacionais e culturais das comunidades atendidas; contudo, tais ações ainda carecem de alinhamento aos princípios fundamentais da educação profissional tecnológica, demandando um debate consistente sobre as bibliotecas multiníveis para atender, de fato, às exigências formativas de estudantes e pesquisadores dos institutos.

Divulga-CI: O que te levou a fazer o doutorado e o que te inspirou na escolha do tema da tese?

Miriã Santana (MS): Eu queria prosseguir com a minha pesquisa de mestrado no doutorado, que se concentrava no espaço onde trabalho, uma biblioteca multinível. Esse modelo de biblioteca surgiu com a criação dos IFs e atende usuários em multiníveis de formação que vai do ensino médio, técnico, graduação, pós-graduação, mestrado, até o doutorado. Outro incentivo foi a possibilidade de aumento salarial.

DC: Em qual momento de seu tempo no doutorado você teve certeza que tinha uma “tese” e que chegaria aos resultados e  conclusões alcançados?

MS: Percebi que tinha uma “tese” quando realizei o levantamento de dados e que não havia estudos que abordassem em específico o trabalho educativo do bibliotecário dentro dos Institutos Federais. O mapeamento dos dados da pesquisa foi exaustivo, mas muito enriquecedor, foram tantos dados encontrados, que acabei criando um livro intitulado “Caderno de experiências pedagógicas bem-sucedidas nas Bibliotecas dos Institutos Federais”, que tem o objetivo de incentivar os bibliotecários a conhecerem e repensarem as atividades desenvolvidas nas bibliotecas a partir dos conceitos da infoeducação e de biblioteca multinível.

DC: Citaria algum trabalho ou ação decisiva para sua tese? Quem é o autor desse trabalho, ou ação, e onde ele foi desenvolvido?

MS: Cito os trabalhos e ideias de dois grandes pesquisadores que compreendem as bibliotecas como espaços formativos e culturais: Edmir Perrotti e Ivete Pieruccini, ambos professores da Universidade de São Paulo (USP), que realizam e relatam projetos infoeducacionais na cidade de São Paulo.

DC: Por que sua tese é um trabalho de doutorado, o que você aponta como ineditismo?

MS: A originalidade da tese consistiu em realizar um mapeamento documental de relatos de experiências educativas conduzidas por bibliotecários dos Institutos Federais (IFs). Foram identificados mais de 90 trabalhos que apresentam experiências, projetos e observações de profissionais atuantes em todas as regiões do Brasil. Além disso, foi realizado um levantamento de dados sobre aspectos administrativos institucionais e sobre a nomenclatura dessas unidades.

DC: Em que sua tese pode ser útil à sociedade?

MS: Em primeiro lugar, a tese evidencia a importância das bibliotecas e do uso da informação para a educação e para a sociedade. Em segundo lugar, demonstra o trabalho educativo dos bibliotecários. As bibliotecas podem ser instrumentos que ajudam a formar cidadãos capazes de utilizar a informação para crescer profissional, cultural e emocionalmente.

DC: Quais são as contribuições de sua tese? Por quê?

MS: Primeiramente, ficou evidente no estudo que as bibliotecas e os bibliotecários dos IFs enfrentam três grandes desafios: o primeiro diz respeito à tipologia e à nomenclatura das bibliotecas; o segundo, à estruturação administrativa e financeira; e o terceiro, à necessidade de transformar a biblioteca em um espaço infoeducativo que auxilie na oferta de uma educação profissional emancipadora. Apesar das dificuldades, os bibliotecários realizam práticas educativas norteadas principalmente pelas necessidades informacionais e culturais de sua comunidade. Tais atividades, no entanto, não estão articuladas com os princípios fundamentais da educação profissional tecnológica. Torna-se, portanto, substancial discutir com seriedade a implementação de bibliotecas multiníveis, visando atender à real demanda por formação de saberes informacionais dos alunos e pesquisadores dos IFs. Entende-se que as bibliotecas são espaços informacionais fundamentais para a educação profissional.

 DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?

MS: Para começar, foi realizada uma pesquisa bibliográfica/documental sobre a temática das bibliotecas dos Institutos Federais. Em seguida, procedeu-se à categorização de todos os dados encontrados, com o objetivo de obter informações fundamentais sobre o tema. Posteriormente, foi conduzida uma pesquisa aplicada, que incluiu a elaboração de um produto educacional e a aplicação de questionários para traçar o perfil dos bibliotecários infoeducadores dos IFs e avaliar a importância de suas ações educativas. Por fim, foram realizadas entrevistas com 07 bibliotecários participantes da pesquisa aplicada, os quais avaliaram o produto educativo desenvolvido.

DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a tese?

MS: A minha inspiração sempre foram os alunos, professores e os usuários da biblioteca que trabalho, eles sempre buscam informações para “vencer na vida”. Seja estudando para o Enem, seja para concurso público ou lendo livros de literatura e autoajuda. Quando os observo, lembro-me de minha adolescência, em que eu sonhava em sair da pobreza e ter um emprego público, fazer uma faculdade e graças às bibliotecas (Escolar, Pública e Universitária) eu consegui, acredito que a educação é o único caminho para quem quer vencer na vida com dignidade e respeito. Acredito que “Quem planta estudo, colhe aprovação”. 

DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da tese?

MS: Meu maior desafio foi realizar uma pesquisa de doutorado durante a pandemia de Covid 19, na qual a primeira professora da primeira disciplina do doutorado faleceu de Covid 19. Logo em seguida morreram amigos, foi um grande choque tive crises de ansiedade e depressão. Mas venci e hoje dedico a minha tese à professora Ana Maria, que acolheu a primeira turma do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar Doutorado Profissional.

DC: Como foi o relacionamento com a família durante o doutorado?

MS: Muito difícil, explicar as ausências e a ansiedade, mas no fim sou grata a minha família pelo apoio. 

DC: Qual foi a maior dificuldade de sua tese? Por quê?

MS: A maior dificuldade foi entrevistar os bibliotecários participantes da pesquisa, as agendas e a distância atrapalharam um pouco. 

DC: Que temas de mestrado citaria como pesquisas futuras possíveis  sobre sua tese?

MS: Acho que os três desafios apresentados que são enfrentados pelas bibliotecas, são temáticas de estudos relevantes, que são eles: A tipologia e da nomenclatura das bibliotecas; o segundo se refere à estruturação administrativa e financeira; e o terceiro desafio concerne à necessidade de transformação da biblioteca como espaço infoeducativo, que auxilie na oferta de uma Educação Profissional emancipadora.

DC: Quais suas pretensões profissionais agora que você se doutorou?

MS: Quero fazer faculdade de Psicologia e uma pós-graduação na área de Biblioterapia. 

DC: O que faria diferente se tivesse a chance de ter começado sabendo o que sabe agora?

MS: Faria primeiramente uma base de dados, inserindo o mapeamento dos temas que estava pesquisando, para ter bastante material para disponibilizar aos pesquisadores do tema no futuro.

DC: Como você avalia a sua produção científica durante o doutorado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?

MS: A minha produção científica foi excelente, publiquei 1 (um) livro, artigos e realizei apresentações em eventos científicos. O mais importante para mim foi publicar um livro sobre as experiências pedagógicas bem-sucedidas nas Bibliotecas dos Institutos Federais. Em breve vou lançar minha tese como livro. 

DC: Agora que concluiu a tese, o que mais recomendaria a outros doutorandos e mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?

MS: Façam um novo levantamento dos dados que apresento na tese e atualizem as informações, pois a temática “Biblioteca dos Institutos Federais” têm tido vasta produção científica na área da Ciência da informação e Biblioteconomia. 

DC: Como acha que deve ser a relação orientador-orientando?

MS: A relação deve ser de respeito e acolhimento, deve ter cobrança, mas deve ter apoio também, sou muito grata pela Professora Jussara Pimenta, no fim ela não foi só uma orientadora, foi minha maior incentivadora a e a utilizo como inspiração nas minhas orientações. 

DC: Sua tese gerou algum novo projeto de pesquisa? Quais suas perspectivas de estudo e pesquisa daqui em diante?

MS: Gerou vários projetos, mais a perspectivas de criar um grupo de pesquisa e uma base de dados online abordando as bibliotecas multiníveis e  educação para a informação nos IFs.

DC: O que o Programa de Pós-Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de doutorado?

MS: Os professores foram imbatíveis e extremamente organizados, só tenho gratidão aos professores e professoras do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar Doutorado Profissional da UNIR

DC: Você por você: 

MS: Sou uma pessoa que ama informação, trabalha com informação e acredita que a vida é feita de projetos e desafios!


Entrevistada: Miriã Santana Veiga
Entrevista concedida em:  25 de agosto de 2025
Formato de entrevista: Escrita
Redação da Apresentação: Iasmim Farias Campos Lima
Fotografia: Miriã Santana Veiga
Diagramação: Iasmim Farias Campos Lima

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