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v. 4, n. 01, jan. 2026
O autoarquivamento dos Trabalhos de Conclusão no Repositório Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Entrevista com Romerito Nóbrega

O autoarquivamento dos Trabalhos de Conclusão no Repositório Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Entrevista com Romerito Nóbrega

O autoarquivamento dos Trabalhos de Conclusão no Repositório Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Entrevista com Romerito Nóbrega

Romerito Moraes da Nóbrega
romerito.nobrega@ufrn.br

Sobre o entrevistado

Em 2024, Romerito Morais da Nóbrega defendeu sua dissertação no Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação e do Conhecimento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob orientação da Profa. Dra. Gabrielle Francinne de Souza Carvalho Tanus e coorientação do Prof. Dr. Fernando Luiz Vechiato.

Atualmente, atua na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Romerito é graduado em Engenharia Civil e, fora do ambiente de trabalho e pesquisa, dedica-se a atividades como jogar vôlei, assistir séries e cozinhar.

Sua dissertação, intitulada “Mediação da informação e fluxos informacionais no processo de autoarquivamento dos Trabalhos de Conclusão dos Cursos de graduação no Repositório Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Norte”, investigou as dificuldades e necessidades informacionais enfrentadas por estudantes de graduação no momento do depósito de seus TCCs no RI-UFRN. Os resultados evidenciam desafios relacionados à mediação da informação e aos fluxos informacionais do processo de autoarquivamento, contribuindo para a reflexão sobre o papel das bibliotecas e dos repositórios.

Divulga-CI: O que te levou a fazer o mestrado e o que te inspirou na escolha do tema da dissertação?

Romerito Nóbrega (RN): A minha motivação para fazer o mestrado veio da minha prática profissional, acompanhando a validação de TCC’s no repositório da UFRN. A partir da quantidade de trabalhos que eram rejeitados e devolvidos para correção, percebi que existiam lacunas a serem estudadas para justificar esse volume de trabalhos devolvidos. E, foi nesse sentido, que escolhi o tema, por entender que meu trabalho teria um impacto direto nas minhas atividades laborais, mas acima disso uma projeção de impacto dentro das universidades que tenham a política de autoarquivamento em seus repositórios. 

DC: Quem será o principal beneficiado pelos resultados alçados?

RN: O principal beneficiário acredito que sejam os alunos, que poderão contar com um material de apoio mais direcionado e completo a partir das necessidades informacionais levantadas ao longo dos meus estudos. Mas, também a universidade, bibliotecas setoriais e sociedade como um todo, levando em consideração que quando os materiais de apoio estão mais voltados para as necessidades reais dos usuários, o fluxo de validação e disponibilização desse conhecimento que se é produzido fica mais rápido. 

DC: Quais as principais contribuições que destacaria em sua dissertação para a ciência e a tecnologia e para a sociedade?

RN: Sendo o repositório institucional uma tecnologia cujo objetivo principal é tornar público e acessível o conhecimento produzido dentro das universidades, a principal contribuição do meu trabalho é trazer proposições de melhorias dentro do fluxo desse processo de autoarquivamento, que resultará necessariamente em uma publicação mais rápida daquilo que se é produzido.

DC: Seu trabalho está inserido em que linha de pesquisa do Programa de Pós Graduação? Por quê?

RN: Meu trabalho está inserido na Linha 2 (Organização, Mediação, Tecnologia e Sociedade), porque meu trabalho busca justamente discutir como a mediação da informação está presente nas etapas que compõe o fluxo do processo de autoarquivamento em repositórios institucionais e, mais que isso, como a mediação da informação é o caminho para compreender as necessidades informacionais dos usuários, de tal forma que essas necessidades precisam está contempladas e institucionalizadas nos documentos que amparam o RI.

DC: Citaria algum trabalho ou ação decisiva para sua dissertação? Quem é o autor desse trabalho, ou ação, e onde ele foi desenvolvido?

RN: Todas as leituras nesse processo de construção são importantes, mas se precisar destacar uma, eu destacaria as publicações do professor Almeida Júnior, principalmente o artigo de 2009 em que ele traz as definições das mediações implícitas e explícitas, que me despertaram para um entendimento melhor em como enxergar a mediação da informação dentro do processo de depósito nos RI’s, dentro da perspectiva que eu estudava claro.

DC: Quais foram os passos que definiram sua metodologia de pesquisa?

RN: A partir da definição do meu problema e pergunta de pesquisa, delineamos os objetivos específicos que respondiam a essa pergunta e, com isso, naturalmente fomos percebendo que a análise documental e conhecer as necessidades dos alunos seriam imprescindíveis. Escolhemos o questionário para os discentes, no intuito de alcançarmos um número maior de respondentes. A entrevista com a chefe do setor de repositório veio no decorrer do trabalho para aprofundarmos as discussões e buscar necessidades informacionais que pudessem não ter sido abordadas na análise de documentos e questionários.

DC: Quais foram as principais dificuldades no desenvolvimento e escrita da dissertação?

RN: Minha maior dificuldade acredito que tenha sido o fato de eu vir de uma área de formação distinta da Ciência da Informação. Isso, inicialmente trouxe a necessidade de aumentar minhas leituras e buscar uma base maior de conhecimento até definir meus próximos passos. Mas, nesse sentido as disciplinas disponibilizadas pelo programa foram parte fundamental em todo esse processo. Além disso, fechar o problema de pesquisa com definição de objetivos também foi um momento difícil, mas que acaba sendo atenuado na disciplina de metodologia e na etapa de qualificação, que podemos ter outras opiniões e olhares para nosso trabalho.  

DC: Em termos percentuais, quanto teve de inspiração e de transpiração para fazer a dissertação?

RN: Não saberia quantificar em termos percentuais, mas diria que os momentos iniciais são mais inspiradores, quando surge a vontade de escrever o projeto, quando vemos nossas indagações se transformando em problema definido e objetivos delineados. E a partir daí, é muita transpiração com leituras, escritas, coletas e prazos, que é quando na maioria das vezes vem o cansaço. No final, tudo isso se torna inspiração para gente e para os outros. 

DC: Teria algum desabafo ou considerações a fazer em relação à caminhada até a defesa e o sucesso da dissertação?

RN: O processo de escrita após o ano de disciplina ele tende a ser um pouco solitário, então construir uma boa base com seus colegas de curso pode ajudar bastante. No mais é contar com a compreensão daqueles que te rodeiam porque será de fato um período que se estará um pouco ausente da vida social. É o preço que se paga. A quem consiga conciliar, não foi o meu caso. Mas, todo o esforço vale a pena. É bom poder ver o fruto de todo seu estudo. Fui muito feliz e amparado na minha caminhada. Tive orientadores incríveis.

DC: Como foi o relacionamento com a família durante este tempo?

RN: Foi tranquilo. Minha família mora no interior e saí de casa aos 14 anos já para morar sozinho quando vim fazer o IF (na época CEFET) que só existia na capital. Então, em casa sempre tive o incentivo para buscar os estudos acima de tudo. Então, notar uma certa ausência pela dedicação aos estudos nunca foi visto como um problema.

DC: Agora que concluiu a dissertação, o que mais recomendaria a outros mestrandos que tomassem seu trabalho como ponto de partida?

RN: Eu recomendaria que aproveitassem ao máximo a disciplina de Metodologia Científica, porque pra mim ela foi crucial na construção do meu problema de pesquisa e definição dos objetivos. Foi a partir dali que tudo começou a fluir. E muita leitura na construção do referencial. Sempre terá um artigo a mais que precisa ser lido… e é preciso estar antenado aos artigos novos. No meu trabalho eu gostei muito na forma como escrevi minha introdução, ela é concisa, mas sem deixar de contemplar o que precisa ter. 

DC: Como você avalia a sua produção científica durante o mestrado? Já publicou artigos ou trabalhos resultantes da pesquisa? Quais você aponta como os mais importantes?

RN: Esse é um ponto que eu gostaria de ter me dedicado mais. O fato de estar em um mestrado profissional e não ter a dedicação exclusiva para o curso, justamente porque trabalhamos enquanto estamos desenvolvendo a pesquisa e pagando as disciplinas, acaba sendo deixado um pouco de lado a produção e publicação. Temos artigos que são desenvolvidos ao longo das disciplinas, mas que no meu caso não foram pensados para publicar. Mas, já tenho um artigo publicado fruto da minha dissertação, intitulado: “Proposta de melhorias do processo de autoarquivamento dos Trabalhos de Conclusão de Curso no Repositório Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

DC: Desde a conclusão da dissertação, o que tem feito e o que pretende fazer em termos profissionais?

RN:Desde que terminei tenho continuado minhas leituras na área e estou escrevendo meu projeto de doutorado, dividindo o tempo entre leitura, escrita e estudo para concurso. 

DC: Pretende fazer doutorado? Será na mesma área do mestrado?

RN: Pretendo sim, na mesma área.

DC: O que faria diferente se tivesse a chance de ter começado sabendo o que sabe agora?

RN: Teria utilizado melhor os trabalhos das disciplinas para publicar artigos e aproveitado as oportunidades de participar dos eventos da área.

DC: O que o Programa de Pós-Graduação fez por você e o que você fez pelo Programa nesse período de mestrado?

RN:O programa me transformou em pesquisador. Sempre converso com meus amigos como a escrita e construção de uma dissertação faz girar uma chave em nossa visão daquilo que somos capazes. Saímos da graduação ainda com muito pouco contato com a pesquisa científica, pelo menos no meu curso de formação. Mas, no mestrado experimentei e me enxerguei como pesquisador. Hoje pra mim não é mais uma realidade distante escrever um artigo ou um projeto de doutorado para participar de uma seleção. É como se tivéssemos aprendido o caminho. Devo muito disso aos professores e meus orientadores. 

DC: Você por você:

RN: Alguém que acredita na educação como força transformadora e que sempre viu nela a possibilidade de realizar seus sonhos e de sua família. 


Entrevistada: Romerito Morais da Nóbrega
Entrevista concedida em:  24 de outubro de 2025
Formato de entrevista: Escrita
Redação da Apresentação: Iasmim Farias Campos Lima
Fotografia: Romerito Morais da Nóbrega
Diagramação: Iasmim Farias Campos Lima

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